A noção de classe é fundamental para se compreender a mensagem do sistema capitalista, tal como daqueles que lhe resistem e propõem a sua superação. A classe social é a unidade política na análise marxista, pelo facto de ser o que distingue os interesses. Para os marxistas, a classe é definida com base na posição de cada um perante os meios de produção. O capitalismo tenta infundir uma noção diferente, baseada no vencimento. Todavia, os interesses políticos das pessoas que ganham mil euros não são todos os mesmos, enquanto que os interesses políticos dos que são trabalhadores são iguais entre todos.
Autor: Miguel Tiago
Capitalismo para totós IV – Dívida pública
Dívida pública é um conceito que tem servido, não apenas recentemente, para justificar o conjunto de políticas de intensificação da exploração do trabalho, para assegurar a estratégia capitalista de divisão internacional do trabalho, e alimentar a especulação e agiotagem através das quais as grandes instituições financeiras asseguram a acumulação crescente e a apropriação galopante da riqueza produzida. A pretexto da ideia de “dívida pública”, impõe-se uma política de “austeridade”, criando um mecanismo simples de alusão à honra pública.
Capitalismo para totós III – Austeridade
Austeridade – o termo encontrado pelos teóricos e governantes do estado capitalista para definir uma política de supressão do Estado e dos serviços públicos. “Austeridade” é um termo com uma carga de moralidade, aliás, “austeridade” significa tanto “severidade”, como “rigor”. A questão aqui não é tanto sobre o significado da palavra, mas sobre o acerto do termo. A utilização do termo aqui é propositada para confundir a realidade com o conceito. Ou seja, não é o significado de “austeridade” que é distorcido, mas é a aplicação desse conceito que tenta disfarçar a situação real com que estamos confrontados.
Capitalismo para totós II – Colaborador
Colaboradores – termo que designa o conjunto das assalariados de uma empresa, independentemente do regime contratual. No essencial, mascara duas dimensões fundamentais das relações sociais capitalistas: a do trabalho e a da exploração.
O colaborador colabora, não trabalha.
O colaborador colabora, não é explorado.
Do parasitismo ao voluntariado
Que se confundam termos e conceitos no contexto de disputa ideológica actual é relativamente normal e é, tendo isso em conta, que assumo já que alguns conceitos são de difícil definição, quer jurídica, quer política. Alguns conceitos são absurdos num determinado contexto económico, como o capitalismo, tal como outros são absurdos num contexto diferente, como o socialismo. Por exemplo, “voluntariado” é um conceito que só distorcido e manipulado entra no léxico do sistema capitalista. Ao mesmo tempo, “exploração do trabalho alheio”, sendo a base do capitalismo é um conceito absurdo num sistema socialista.
Capitalismo para totós I – Competitividade
Competitividade – é a disputa entre trabalhadores para ver quem vende mais barato a sua força de trabalho, fazendo o jeito ao patronato. O termo em si comporta uma dimensão anti-progresso porque coloca os povos, os trabalhadores, em posições antagónicas entre si, iludindo que só a cooperação e não a competição pode gerar elevação do bem-estar de todos.
Do sonho à ilusão, do projecto à estagnação
O anúncio de um punhado de notáveis que assinou um documento com o nome claramente inspirado no nosso belogue colectivo, principalmente quando é uma espécie de versão desvitaminada da reivindicação do PCP que se converteu em reclamação de massas sobre a renegociação da dívida, suscitou-me alguns pensamentos. Principalmente porque há um contraste fundo entre o que dizem os comunistas e o que dizem os subscritores do dito manifesto das 70 personalidades (como veio a ser referido quase elevado a programa político) e porque esse contraste mereceu reflexo na dimensão mediática de cada fenómeno.
Se, por um lado, a renegociação da dívida dos comunistas é uma espécie de projecto inaplicável, um delírio esquerdista e radicalista, já a renegociação da dívida nos termos propostos pelos subscritores do dito texto é algo que, nas palavras dos partidos que suportam o Governo, tem vindo a ser feito com naturalidade ao longo das avaliações da troica.
Até à maior das liberdades: a de não ser explorado
No Capítulo sobre Cooperação d’O Capital [1] Marx relembra as palavras de Giovanni Carli “ «A força de cada homem é mínima, mas a reunião das forças mínimas forma uma força total, maior ainda do que a soma das mesmas forças, ao ponto de as forças, por estarem reunidas, poderem diminuir o tempo e acrescentar o espaço da sua acção.» O proletariado português tem um partido há exactamente 93 anos e nesse Partido o trabalho colectivo, a reunião das forças, foram características indissociáveis da sua natureza, é certo, mas também da sua indestrutibilidade.