O autocarro cheira a bafo de sanduíches fermentadas toda a tarde em papel de prata. Tupperwares desabrocham para o jantar em arrotos de chouriço. José, que vai mesmo à nossa frente, está inquieto. Em vão, ajeita-se no assento, procurando um suporte mais confortável para a bola de carnes cozidas da sua formidável barriga. Rebusca um saco do Pingo Doce – Pois… – esqueceu-se mesmo da comida. – Merda para isto… – descarrega baixinho. Velozes, os olhos de Rita, aquela miúda do outro lado do corredor, despejam-lhe em cima um balde de condescendência e viram-se outra vez para a janela. Lá fora, repete-se com admirável precisão a paisagem desolada do Baixo Alentejo, uma crosta de pó improdutivo, tão ampla que parece adivinhar no horizonte a própria curvatura do planeta.
Dos fracos não reza a história