Autor: Ricardo M Santos

O oásis

Pouco antes da chegada de Ventura ao Parlamento, não faltaram artigos, uns de opinião e outros de fundo, a falar de Portugal como um oásis no que respeita aos populismos representados nos parlamentos dos diversos países. Talvez tivesse sido interessante observar os períodos eleitorais de cada país e o como isso afetava a amostra. Obviamente, nem Portugal é um oásis, nem neofascistas são populistas, por um motivo simples: se fala como um fascista, se age como um fascista, se faz propostas fascistas, então, é um fascista. Começam aqui os equívocos. Ler mais

Nos teus sapatos

Olha, eu fazia assim e assado, cozido e frito. Se fosse comigo? Havias de ver. Então a gaja mija pelas pernas abaixo só porque o patrão não deixa ir ao quarto-de-banho? Eu ia e ainda espetava dois bananos no patrão ou no capataz ou no encarregado. Havia de ser comigo, nem que tivesse de pedir esmola na rua. E estes gajos a pedir na rua? Gajos novos, com bom corpo, é mas é pô-los a limpar matas, que não falta trabalho. Querem viver de subsídios e nós a pagar, bando de malandros. Conheço um que não quis ir trabalhar porque ganha mais de subsídio. Ia ganhar o salário mínimo, não chega, diz ele. Diz que não tem transportes. Sabe é muito, claro. Também eu queria andar ao alto. Ir às feiras, comprar coisas à ciganada. Esses são outros, com grandes carros e casas e a gente a pagar. Viste o BMW novo do patrão? Que máquina, pá, aquilo até voa. Ler mais

Quem poligrafar o Polígrafo, bom poligrafadigador será

O Polígrafo continua, como sempre tem feito até aqui, a efetuar uma verificação de factos que, a meu ver, deixa muito a desejar quando comparada com outros sites internacionais com o mesmo objetivo. Primeiro, porque, não raras vezes, aposta no “clickbait”, ou seja, faz uma pergunta no título sem dar a resposta, mesmo sabendo que a maioria das pessoas não vai clicar e ler a notícia, mas antes responder-lhe de acordo com a sua convicção. Isso traria menos cliques ao Polígrafo, é certo, mas serviria o propósito que diz ter. E quando é o Polígrafo, ou o seu diretor, Fernando Esteves, que necessitam de ser poligrafados, fazemos o quê? Ler mais

São todos iguais

Ontem, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, teve lugar uma “conversa de café”, organizada pelo Grupo Universitário de Debates e Opiniões, com os convidados Manuel Loff e Pedro Ponte e Sousa, sobre as eleições do próximo domingo. Serviu para, entre outras coisas, num ambiente descontraído, se discutirem não só temas relevantes para as eleições, discutir a ideologia e a sua ausência, que mais não é do que a existência da ideologia dominante, o sistema eleitoral, o papel mediático e das redes sociais e os fenómenos de extrema-direita. Ler mais

O mundo que mudou Greta

Uma nota prévia, para quem consegue ver nas linhas abaixo um ataque à jovem sueca. Há aqui dois pontos: ambos análises minhas sobre o que envolve Thunberg e não sobre Thunberg enquanto jovem com preocupações mais do que justas: Eu não permitiria este tipo de exposição da minha filha, como não permitiria que se transformasse em estrela de reality-show. Este é um dos meus pontos. Ler mais

Lavar as mãos da Amazónia

Quando se fala no Fundo da Amazónia, patrocinado por países ricos, convém esclarecer quem contribui para esse fundo, no caso, Noruega e Alemanha, juntamente com a Petrobras. No caso da Noruega, ainda em 2018 uma empresa mineira cujo maior acionista é, espante-se, o governo da Noruega, esteve envolvida num caso de contaminação ambiental, que tentou esconder.
De resto, recuando até 2006, o governo do Reino Unido tentou tomar conta da Amazónia, considerando que é património mundial, iniciando assim o que é o movimento eco-imperialista. Os países ricos do Hemisfério Norte a decidirem o que é melhor para a Amazónia. Sem ter em conta, obviamente, o que são os interesses dos indígenas e dos trabalhadores. Já nem coloco aqui a evidente questão da soberania e o direito dos povos à auto-determinação. Ler mais

O PCP, o Polígrafo e o Expresso

O Polígrafo pegou hoje numa publicação de uma página de desinformação para fazer uma verificação de factos em torno do centro de trabalho do Vitória, do PCP, que fica na Avenida da Liberdade, em Lisboa. Segundo a página de desinformação, o PCP tem uma sede “ao lado da Gucci, na rua da Versace, Louis Vuitton e Tom Ford”. A avaliação, que o Polígrafo classifica como “verdadeiro, mas…” tem por base o facto de o PCP ter na Avenida da Liberdade não uma sede, como lhe chama o Polígrafo, mas um centro de trabalho há mais de 40 anos e, espante-se, nessa altura, ao seu lado não havia nem Gucci, nem Versace, nem Louis Vuitton. Aproveito ainda para informar o Polígrafo e a página de desinformação que o PCP tem um centro de trabalho no Porto, na Avenida da Boavista, pelo que estará também na mesma rua ao lado de hotéis, bancos, supermercados e, com um bocadinho de boa vontade, do Estádio do Bessa.

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As tragédias do nosso contentamento

Alan Kurdi. Sem ir ao Google, não serão muitos aqueles que se recordam de quem falo. Alan Kurdi correu mundo, parado, morto, num momento captado por um fotógrafo quando deu à costa da Turquia ao tentar escapar de Kobani, na Síria. Tinha três anos. Fugia dos horrores da guerra tentando atravessar ao Mar Egeu, num trajeto feito por milhares, como fazem outros milhares atravessando o Mediterrâneo. Alan Kurdi fugia da agressão à Síria, patrocinada pela UE, NATO e Arábia Saudita, cuja raiz do problema surge em 2009. Assad decide tornar a Síria uma plataforma de passagem de um oleoduto para abastecer a Europa. O projeto inicial deveria iniciar-se-ia no Qatar, passaria pela Arábia Saudita, Síria, Jordânia e entraria na Europa pela Turquia. Este era o plano inicial. No entanto, surgiu uma segunda proposta, que passaria pelo Irão, Iraque, Síria, Chipre e Grécia, que deixaria de fora Qatar, Arábia Saudita, Turquia e Jordânia. E foi a partir daqui que se iniciou, certamente, por mera coincidência, uma invasão de jihadistas ligados ao Daesh naquele país, depois da Primavera Árabe – prontamente apoiada por alguns setores supostamente progressistas – que se transformou num outono sem fim à vista.

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