Todos os artigos: Internacional

Feminismo-L’Óreal e a falta de Xá

Do cotovelo da Terra à pestana do Mundo, eis que o Feminismo-L’Óreal voltou a cruzar o estreito de Ormuz. Tem barbas mais brancas do que as do próprio Ayatollah esta obsessão do Ocidente com o que as mulheres vestem nos países de maioria muçulmana, tendo-se fossilizado uma lógica pobrezinha, já aqui endereçada, em que os níveis de liberdade sobem tanto quanto a bainha das saias, numa relação de proporcionalidade directa. Dir-se-ia que também por aqui paira uma nova polícia da moral, aliada à polícia da moda. Pois que, para as feministas liberais, negacionistas da luta de classes, trata-se bem mais de moda do que de emancipação colectiva. Essa mesma obsessão tem sustentado e feito circular uma igualmente pobre ladainha sobre “libertação” das mulheres. Curiosamente, note-se, falamos de mulheres que têm por destino nascer entre o Top 10 dos produtores da OPEP. Para todos os males, bombas. Assim como assim, mulheres mortas não usam hijab. 

Ler mais

O Congresso, 1957

Imagem gerada por IA

Corria o ano de 1957 quando o Partido Comunista Português realizou o seu V Congresso. À polícia política do regime não lhe passaria pela cabeça que os comunistas se juntariam a uns meros seis quilómetros do Forte de Santo António da Barra, onde o presidente do conselho, o fascista de nariz adunco, instalara a sua residência de férias, pobrezinho haveriam de o vir chamar, pedófilo só dali a dez anos quando rebentar o escândalo de Ballet Rose, sempre faz parecer que é assunto de predileção da classe dominante, hoje e amanhã.

Ler mais

Transformar agressores em vítimas: A caça aos antifascistas em França

Não é assim que a história está a ser contada pelos órgãos de comunicação social mas há cinco dias um elemento fascista, Quentin Deranque, acabou morto, em Lyon, depois de uma tentativa de boicote contra uma conferência de esquerda. De seguida, a presidente do parlamento francês, Yael Braun-Pivet, proibiu a entrada no edifício de Jacques-Elie Favrot assessor parlamentar de Raphael Arnault, deputado da França Insubmissa, para quem o próprio governo pede também a perda de mandato, apenas porque no passado militaram na Jeune Garde, organização antifascista acusada agora de matar Deranque. 

Entretanto, grupos neonazis anunciam caçadas contra os “vermelhos”. No domingo, em Lyon, vários fascistas atacaram com barras de ferro membros do comité de solidariedade com a Palestina. Sucedem-se os ataques contra espaços de esquerda, com a sede da França Insubmissa, em Paris, a ser alvo de uma ameaça de bomba esta quarta-feira, num contexto em que a extrema-direita pede a proibição deste partido que, integrado na Nova Frente Popular, ficou à frente nas últimas eleições legislativas. A narrativa agora é a de que a “extrema-esquerda violenta” atacou “jovens católicos pacíficos”.

Ler mais

Trump, ouve bem: nós defenderemos Cuba

Como se contra Cuba não bastassem 66 anos de bloqueio económico, uma invasão e dezenas de atentados terroristas, a Casa Branca agora quer cometer um genocídio. Meço bem a palavra: genocídio. Proibir a entrada de combustível na ilha é deixar hospitais sem electricidade, paralisar a agricultura, impedir o transporte de alimentos e medicamentos e destruir o turismo e a economia da ilha. É tentar matar milhões de pessoas. É um cerco medieval perverso, cruel e ilegal.

Ler mais

Não podem raptar Bolivar. Não podem capturar Chávez. Não podem matar a revolução.

Vejam como o imperialismo faz o que quer: um país arroga-se o direito de decidir que presidentes derrubar e sequestrar. Vejam a hipocrisia: a UE dos valores e do direito internacional, diz-nos que afinal até pode ser porque nem gostava de Maduro. Vejam o cinismo: todos os partidos sociais-democratas e liberais, do BE ao PS, que, durante anos, reproduziram a narrativa mentirosa do imperialismo sobre o malvado regime de Maduro, vêm agora carpir lágrimas de crocodilo pela morte do mítico “Direito Internacional”.

Ler mais

O Tempo da Indecência

Sob a máscara do conservadorismo democrático a extrema-direita política em Portugal está implementada bem para lá das fronteiras dos partidos ou organizações populistas, esticando a sua influência ideológica para as estruturas neoliberais e social-democratas. Neste cenário, um tanto ou quanto aceleracionista, o fascismo é ressurgido e institucionalizado, os seus caciques estão em roda solta e o patronato esfrega as mãos, às aranhas só o pobre, sem saber quem o maltrata.

Ler mais

If I must die

Mohammed Abed/AFP

“If I must die” é um poema de 2011, originalmente escrito em inglês, pelo escritor, poeta, professor e activista palestiniano Refaat Alareer, assassinado por Israel em 2023, num dos incontáveis bombardeamentos que têm vindo a terraplanar Gaza. O poema, que agora faz parte de uma colectânea póstuma – If I Must Die: Poetry and Prose, recuperou voz e vigor pelas mais óbvias razões, e reveste-se de uma intemporalidade trágica, porque perante o desaparecimento da humanidade canta a esperança, porque é, contra todas as evidências em contrário, a dignidade que resta dessa humanidade ausente.

Ler mais

Nanni Moretti e o horizonte comunista como antídoto da direita e do “voto útil”

A 20 minutos do final de “O Sol do Futuro” (filme de 2023, de Nanni Moretti), Giovanni, um idealista e impetuoso realizador a braços com uma tripartida crise artística, ideológica e conjugal, interpretado por Moretti num estreitamento da linha que delimita ficção e realidade, encontra-se sentado à mesa com a produtora e recente ex-companheira. Ponderações sobre o desgaste da sua relação e a perda de financiamento para o filme que se encontra a realizar imiscuem-se e atropelam-se. Interrompe-o o extasiado veredito do grupo de investidores sul-coreanos sobre o guião, a última esperança que tem, o filme, de ver a luz do dia. Agrada-lhes particularmente o suicídio na cena final: “tão dramático e sem esperança. É um filme sobre a morte da arte e do comunismo.”

Ler mais