Todos os artigos: Internacional

Natal em Caracas

Há muitos anos atrás, num país cuja tradição natalícia é o pernil de porco, os estômagos dos miseráveis das favelas não provavam mais do que hallacas. Do porco, só os restos que acompanhados de algum frango e vaca eram embrulhados com as azeitonas, passas e alcaparra em massa de milho. Depois, era tudo isto coberto por folhas de bananeira. Na Venezuela, a operação de feitura das hallacas é ainda hoje um hábito que envolve todas as famílias nas noites que antecedem a véspera do natal. Antes, o único momento em que os pobres da cidade viam um pernil de porco era quando a empregada o levava para a casa dos ricos. Ler mais

Entretanto, na Grécia…

E de repente a Grécia desapareceu do nosso quotidiano. É por ter desaparecido o espectáculo – porrada – das manifestações? Será que a TVI gastou todo o dinheiro destinado a assuntos gregos a transmitir o Olympiakos – Benfica? Vá lá que quem transmite os jogos da Liga Europa é a SIC, senão PAOK – Benfica, nicles. Veio um gigante enorme que comeu a Grécia com azeite, azeitonas e pão pita? Ou será que é porque o governo grego bateu o pé à troika – devagarinho, mas bateu – ao aprovar um Orçamento do Estado que não corresponde à totalidade do que FMI, UE e BCE exigem de Atenas e isso incomoda um bocadinho? Ler mais

«Eu disse a Estaline que não construísse o Palácio dos Sovietes. O edifício mais alto do mundo seria alemão. Mas ele não quis saber e pôs-se a construí-lo. Se é guerra que quer é guerra que terá»

Falar sobre Hitler, sobre a II Guerra Mundial, sobre as mortes de milhões de russos, homossexuais, judeus, ciganos é ainda, na memória e representação colectiva, um assunto sempre abordado com o maior dos cuidados para que não se ofenda a concepção pessoal e, muito menos, a história recente. Ler mais

A revolução não passa na televisão

Enquanto Nelson Mandela é recordado nas televisões por aquilo que nunca foi, começou em Quito o Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes. Depois da África do Sul, é a vez do Equador receber jovens de todo o mundo. Encabeçando os ideais por que se bateu o histórico resistente sul-africano, dezenas de milhares de raparigas e rapazes de centenas de países protestam contra o imperialismo e reclamam pela paz e justiça social. Precisamente porque esta notícia só tem lugar no caixote de lixo das redacções é a prova de que não querem saber de Nelson Mandela. Ler mais

Estátuas

Saramago dizia que a estátua é a superfície da pedra. Tinha razão, a estátua é só  mesmo isso: pedra a que alguém descascou gomos de revestimento. Porque os nossos olhos são feitos de carne, é o mundo exterior que melhor enxergam e, às vezes, a ilusão de que se revestem as estátuas fá-los chorar. Hoje, os meus olhos foram embargados pelas brutais imagens de uma turba no centro de Kiev a destruir, a golpes de martelo, a estátua de Lenine. Mas a fúria das multidões como as estátuas que elas decapitam, são apenas um revestimento político externo de fenómenos políticos que só se podem assimilar verdadeiramente através identidade dos que desferem as marteladas. Ler mais

Memórias de infância: Angola, Cuba, Mandela

Lembro-me de quando cheguei a Portugal, em finais de 1982, a poucos dias de completar os meus oito anos, perguntar a toda a gente com quem é que estávamos em guerra, quem é que os portugueses combatiam. Estranhava a ideia de não viver mais num ambiente de conflito armado. Para mim o estado normal de existência era o da guerra. A guerra é uma dor continuada a que nos habituamos sem nunca deixar de doer, é como um frio que se entranha nos ossos e com que somos obrigados a conviver, e agora é para mim uma memória longínqua da qual sobressaem os episódios mais marcantes.
Não sei se o meu ódio de hoje a explosões tem alguma coisa a ver com memórias conscientes e acontecimentos esquecidos. O facto é que de cada vez que vejo e oiço notícias sobre bombardeamentos imagino-me como uma criança, num cenário de guerra, perdida e assustada com o ruído de explosões que ocupam todo o espaço, que ensurdecem, nos paralisam e nos impedem de gritar. Ler mais

Memória

Ainda que me cause a mais intensa repulsa, não perderei tempo lembrando caso a caso a suprema hipocrisia das declarações de circunstância daqueles que dizem hoje o contrário do que fizeram ontem a propósito de Nelson Mandela e da libertação da África do Sul do jogo fascista do Apartheid. É informação que, pelo que percebo, flui pelas redes sociais nestas horas que passam. Ler mais

A União Europeia é inimiga dos trabalhadores

Para os que depositam esperanças na ‘democrática’ União Europeia e para os que vêem nos protestos pelo vínculo da Ucrânia a Bruxelas um símbolo de luta pela liberdade, deixo-vos a imagem de manifestantes ucranianos tentando subir à estátua de Lénine para a destruir. Ler mais