Todos os artigos: Internacional

Black Friday: importação da loucura

Depois do ‘Halloween’ e dos ‘baby showers’ é chegada a vez da ‘Black Friday’: a última moda made in USA a ser bacoca e acriticamente importada para a coutada do Soares dos Santos a que alguns ainda chamam Portugal.

A Black Friday, que tem a sua origem no último quartel do séc. XIX, nas paradas de chegada da época natalícia que despediam o Dia de Acção de Graças, foi evoluindo de um simples dia de descontos para a efeméride alegórica do próprio capitalismo: nos EUA, centenas de milhares de pessoas passam a noite ao relento para, de madrugada, se atropelarem numa corrida aos bens que durante o remanescente do ano, lhes são inacessíveis. Os trabalhadores destas lojas, por outro lado, são forçados a trabalharem horários desumanos, por vezes superiores a 24 horas, amiúde sem qualquer compensação.

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A Síria, a Turquia e o jogo duplo da “coligação” saudita-americana

Quando em 2012 se deu o grave incidente na fronteira entre a Síria e a Turquia, que consistiu no abate de um avião militar turco de reconhecimento que sobrevoava o seu território, as autoridades turcas não hesitaram em activar os mecanismos previstos no artigo 4º do Tratado do Atlântico Norte. Na mesma circunstância afirmaram ser sua intenção activar o artigo 5º do mesmo Tratado, que prevê que um ataque a um dos estados membros da NATO seja considerado um ataque à própria aliança. O tempo era de provocações sucessivas à Síria, com violações grosseiras da sua soberania, promoção mediática, política, militar e diplomática dos grupos armados da chamada “oposição”, utilização do território turco como porto-seguro para a entrada e saída de jihadistas dos campos de batalha e até operações de falsa bandeira que em devido tempo foram denunciadas.

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Paris, e agora?

Paris, sexta-feira, 13 de Novembro de 2015, 7 actos hediondos abalam o mundo. Homens bombistas explodem junto do estádio onde decorria o França-Alemanha, onde famílias com os seus filhos assistiam a um simples jogo de futebol.

Numa sala de concertos, ouvia-se Eagles of Death
Metal
, como também eu já ouvi entre amigos, e entram pessoas que desatam a
disparar. E a matar.

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Depois de Beirute, Paris

Só para lembrar que é dos responsáveis pelo banho de sangue em Paris que fogem os refugiados que abandonam a Síria, o Curdistão, o Iraque e a Líbia. Ontem, foi em Paris. Anteontem, foi em Beirute, onde mais de 40 muçulmanos foram assassinados pelo terrorismo do Estado Islâmico. Em Beirute, morreram árabes. Em Paris, morreram europeus. Todos vítimas dos mesmos carrascos. Não se esqueçam disso quando começar a campanha xenófoba nas televisões, rádios e jornais.

A barbárie nas ruas de Paris é perpetrada pelos mesmos que regaram de sangue o Afeganistão, o Iraque, a Líbia e a Síria. Os mesmos que receberam dinheiro e armas dos Estados Unidos, União Europeia, Turquia, Israel e Arábia Saudita para acabar com regimes nem sempre alinhados com o imperialismo e devolvê-los à Idade Média. E as vítimas, como sempre, somos nós, os trabalhadores.

Hotline – Como Israel recebe os refugiados

Foi dos documentários mais difíceis (chamemos-lhe assim) desde que frequento o doclisboa. Demorei demasiado tempo a processar toda a informação que se recolhe quando a câmara se transforma nos nossos olhos e estamos nós diante de alguém que foi brutalmente torturado para chegar a um país e, aí chegado, só deseja voltar. O Estado de Israel mata. Não só na Palestina. Não só em Israel. Desumaniza. Priva. Tortura. E há quem combata esta realidade, com a certeza do seu lado da barricada, mesmo que a maioria das vezes embata violentamente contra os muros da intolerância e do racismo. Um documentário sobre Hotline for Refugees and Migrants – Israel que vale a pena ser visto.

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2 Novembro de 1975, singela homenagem

“A independência que é a minha força, requer a solidão que é a minha fraqueza.” P.P.Pasolini

Escrever sobre alguém e o seu trabalho não é fácil, às vezes porque se é redutor, outras vezes porque se torna difícil evitar excessivos juízos caindo-se provavelmente em adjectivações intempestivas e subjectivas. Escrever  sobre Pier Paolo Pasolini, ainda que breves palavras, não fugirá a estas dificuldades.

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Netanyahu e o revisionismo histórico

As recentes declarações do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, não são apenas mentirosas, lamentáveis e provocatórias [1]. No quadro da legislação em vigor no seu próprio país, o que Netanyahu fez foi violar a lei que criminaliza o revisionismo histórico em torno do Holocausto (Lei 5746-1986), nomeadamente no seu ponto n.º2 [2].

Neste contexto, foi sem surpresa que li as declarações da responsável pela investigação histórica do Centro Internacional do Holocausto – o Yad Vashem de Jerusalém –, Dina Porat, que se referiu à tese defendida por Netanyahu como “absolutamente falsa”. [3]

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Sobre Angola e Luaty Beirão

Num artigo intitulado «Angola: carta aberta aos meus amigos do PCP», o encenador Castro Guedes manifesta a sua (sincera) incompreensão com aquilo que diz ser «os silêncios» do PCP, partido cuja dedicação à causa da liberdade reconhece, sobre o caso dos jovens angolanos acusados de prepararem um golpe de Estado.

Caro Castro Guedes, compreendo as tuas preocupações: a greve de fome é um gesto de protesto tão extremo que não nos pode deixar indiferentes. Soberania dos Estados não é o mesmo que soberania dos povos e não pode nunca impedir que, como o Che, estremeçamos perante qualquer injustiça cometida em qualquer parte do mundo. Por outro lado, como tu reconheces, a política económica e social do governo angolano reveste-se de opções semelhantes às que afligem os trabalhadores de outros países europeus, asiáticos ou americanos onde o capitalismo se desenvolve.

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