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Até Sempre Comandante Mozgovoy

(Mozgovoy intervém nas celebrações da Revolução de Outubro)

Alexey Mozgovoy terá falecido hoje, vítima de um atentado, juntamente com mais três pessoas. Mozgovoy, originário da região de Lugansk,  foi poeta e solista de coro antes do despoletar do processo de fascização da Ucrânia, contra o qual se opôs activamente desde o início das manifestações pro-UE na Praça Maidan de Kiev, fundando o Batalhão rebelde Fantasma. Mozgovoy desde o início da guerra apelou à reconciliação de todos os ucranianos, de Oeste e Leste, insistindo na ideia da separação entre classes no interesse pela guerra civil e na necessidade de punir os oligarcas pela guerra e pelo saque do país.

Pela sua lucidez, coragem, exemplo e estímulo, Mozgovoy tornou-se um alvo prioritário. Por diversas vezes a sua morte foi tentada(e anunciada), surgindo daí a alcunha de Fantasma para o seu batalhão.
O exemplo de Mozgvoy perdurará.

* Autor Convidado
Filipe Guerra

Fuzilados pela madrugada, a pena de morte nos EUA*

Num pedaço de papel amarrotado, Joe Hill escreve à pressa o último poema «O meu testamento é fácil de decidir / porque não há nada a dividir. / O meu povo não precisa de choro nem lamento / que o musgo não cresce numa pedra em movimento». Os primeiros raios de uma luz implacável já iluminam a cela quando vieram buscar o sindicalista. Aos guardas prisionais do Utah cabe encenar o tétrico protocolo: «Joe Hill, operário, 36 anos, conhecido revolucionista e agitador», lê o polícia, «o Estado do Utah condena-o a morrer por fuzilamento. Deseja pedir uma última refeição?». Haverá mais burilado requinte de crueldade que convidar alguém a escolher a última refeição?

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Uma viagem ao coração da resistência irlandesa (1ª parte)

Sob o céu carregado de Falls Road, no cemitério de Milltown, não se ouve mais do que a gravilha debaixo dos nossos pés. Há muitos anos, o demencial ataque de um lealista fez vários feridos enquanto a população republicana de Belfast enterrava um dos três membros do IRA abatidos pelas forças especiais do exército britânico em plena luz do dia nas ruas de Gibraltar. Lançou granadas e disparou sobre os civis que prestavam a última homenagem aos seus heróis. Em fúria, perseguiram-no e entregaram-no à polícia. Pior sorte tiveram os dois soldados britânicos que, três dias depois, vestidos à civil se atravessaram de carro em frente a uma das marchas fúnebres. O veículo foi cercado pela raiva das centenas que choravam os seus mártires enquanto os militares disparavam para tentar dispersar a multidão. Arrancados à força, foram linchados e entregues ao IRA que os abateu. As imagens dos acontecimentos encheram telejornais do mundo inteiro e Margaret Thatcher afirmou que havia sido o crime mais hediondo durante a sua legislatura. A hipocrisia de uma primeira-ministra que largou milhares de trabalhadores no desemprego e na miséria, que levou o sabor da morte às Malvinas e que deixou morrer os dez grevistas de fome do IRA e do INLA.

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Do esclavagismo à segregação racial, a(s) raiz(es) da violência

Estima-se que a cada 36 horas um afro-americano seja assassinado nos EUA por alguém pertencente às diversas forças de segurança.

A acompanhar o número de assassinados, surgem muitos outros números que revelam uma situação de impressionante discriminação racial na aplicação de penas legais, seja o número de condenados a sentenças de prisão, a sentenças longas ou de condenações a pena de morte. (aqui)

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Evolução perigosa no Iémene

A situação no Iémene está em grande aceleração, ameaçando expandir-se de um conflito nacional para um guerra regional no Médio Oriente, região de grande interesse do imperialismo, representando portanto um potencial perigo para a paz não só na região mas com com efeitos globais.

O conflito nacional envolve duas frentes independentes contra o governo: uma protagonizada pelo Ansar al-Sharia (afiliado ao Al-Qaeda da Peninsula Árabe), possivelmente em aliança com o Estado Islâmico; e os houthis, grupo xiita (mais especificamente zaídi) cujo nome deriva do seu líder Hussein al-Houthi.

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Mapas e perversidades: o imperialismo ideológico que domina a imprensa nacional.

No passado domingo comprei, creio que pela última vez nos próximos anos, a edição em papel do jornal Público. Depois de a ter folheado por três ou quatro vezes não encontrei referência alguma às manifestações que a CGTP-IN organizou em dezoito capitais de distrito. A opção de não incluir qualquer notícia sobre as acções de luta da CGTP-IN é em si mesma uma expressão da forma como o Público olha hoje o país e o mundo que pretende analisar, quer sob a forma de notías, quer sob a forma de artigos de opinião.

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De Mossul à Babilónia: o triunfo da ignorância e da barbárie.

Totalitarismo e ignorância andam quase sempre de mãos dadas. Quando a estes se junta o mais completo e absoluto desprezo pela história de outros povos e de outras territórios  que não são compreendidos para lá dos recursos naturais que guardam, a coisa torna-se dramática, quando não criminosa.

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