Todos os artigos: Internacional

Parabéns e obrigado, companheiro

Aos 89 anos, Fidel Castro continua jovem e de boa saúde. Continuará sempre. Porque há muitos anos que deixou de ser apenas a pele que habita, tornando-se na metáfora viva do que mais jovem tem este mundo decrépito.

Por isso, companheiro Fidel, parabéns por nos mostrares que é possível um Estado governado pelos trabalhadores, mesmo que cercado, vilipendiado, bloqueado e atacado por todos os quadrantes, fazer mais e melhor que o resto do mundo.

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Sem alternativa à economia de mercado? por Maurício Castro

Assim de contundente foi o líder da alternativa eleitoral ao bipartidarismo espanhol vigorante, em declaraçons recentes ao The Wall Street Journal. Num ataque de sinceridade que deveríamos agradecer, Pablo Iglesias afirmou que “nom há umha verdadeira alternativa à economia de mercado”.
Umha sentença que dá continuidade a um pensamento constante nas diversas correntes de pensamento defensoras do sistema em vigor. Talvez a mais conhecida e divulgada tenha sido nas últimas décadas a do filósofo japonês Francis Fukuyama, pensador da direita neoliberal, no seu best seller do fim dos anos 80: “O fim da história”. Eram os tempos da queda do chamado campo socialista no leste da Europa. Lembram?

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Senão o quê?

Não está tempo para sermos ingénuos: o governo grego traiu o seu povo e mostrou cabalmente que os únicos referendos vinculativos que o Syriza reconhece votam-se nas reuniões do Eurogrupo.

Pouco interessa quais eram as intenções de Tsipras ou dos seus seguidores. Não se trata de escamotear as pressões, ingerências e chantagens de que foi alvo o governo e o povo helénicos, mas de enfrentar a realidade como ela é: este governo assumiu promessas que não cumpriu, convocou um referendo que não respeitou e acaba de assinar o maior retrocesso social das últimas décadas.

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Da Telesur às ruas: A revolução será transmitida?

Caracas, Bairro 23 de Enero, bastião da revolução bolivariana

No passado mês de Fevereiro, o governo bolivariano da Venezuela denunciou um plano golpista. Na denuncia, o mandatário, Nicolás Maduro, revelou à imprensa os detalhes desta estratégia elaborada pelos “sectores mais fascistas da oposição, vinculados ao imperialismo norte-americano”. O presidente afirmou que queriam bombardear o palácio presidencial de Miraflores, o Ministério da Defesa e a Telesur.

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Bem-vindos ao «pelotão da frente»

Ano da desgraça de mil novecentos e oitenta e seis. No dia primeiro do mês Janeiro, Portugal é formalmente anexado a uma grande corporação capitalista, que para levar a cabo o seu desejo de domínio e monopólio europeu e mundial, necessita, como é normal neste ciclo, de fiéis serventuários. Atribuem-nos milhões para adoçar a boca e que são gastos como sabemos. Abate-se a produção nacional, sequestra-se a nossa capacidade económica, aniquila-se grande parte da nossa independência financeira, social e também política. Prometem-nos a «modernidade», a «solidariedade» e a oportunidade «imperdível» de entrarmos num «pelotão da frente» que, é preciso recordar a jactância, faria de nós «um grande, moderno e avançado país». Depois de anos de desbragada ilusão, o doloroso definhamento histórico salta à vista. Um retrocesso cujos indicadores sociais e políticos só encontram comparação em períodos de catástrofe, ou de pós-guerra. A realidade, essa teimosa, essa persistente, mostra-nos todos os dias – como o PCP na altura isoladamente afirmava – o grande sarilho, a grande tragédia, a grande farsa em que PS, PSD e CDS nos meteram.

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O Bloco de Esquerda mente: o KKE não apelou à abstenção

Numa notícia publicada no Esquerda.net, o Bloco de Esquerda acusa o Partido Comunista Grego de apelar à abstenção no referendo convocado para dia 5 no país helénico.

Trata-se de uma mentira ignóbil que não nasce de qualquer problema de tradução mas de uma contradição política inultrapassável: o que o Bloco de Esquerda defende para a Grécia é o compromisso com aquilo que diz combater em Portugal – a austeridade.

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As avenidas do futuro

Bruxelas não é uma cidade especialmente agradável. Talvez a ideia de ser a capital da União Europeia não me tenha feito compreender o interesse na estátua ridiculamente pequena de uma criança a urinar água sobre um tanque. Caracas tampouco é bonita. Mas, para mim, é capaz de ser a mais bela das cidades feias. São as pessoas e não os edifícios que me conquistam a simpatia. A beleza dos bairros de Falls Road, Ardoyne e Bogside está naqueles que fizeram de Belfast e Derry capitais da resistência. É útil admirar a pomposidade parisiense?

Absolutamente. Também Neruda se espantou com as enormes igrejas de Lisboa, grandes como empadões, enquanto pelas suas ruas corriam bandos miseráveis de crianças descalças. Era, então, a capital de um império decadente que se erguera à custa da colonização, da escravatura e da espoliação dos recursos roubados aos povos agrilhoados de África, América Latina e Ásia. O chileno era ainda um desconhecido poeta que fazia escala em Lisboa a caminho da Birmânia para chefiar o consulado de Rangum.

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Resposta às perguntas do Canal de História

«Será isto uma prova da existência de uma raça pré-histórica de gigantes?» corte para animação em 3d «E terão esses gigantes construído… as pirâmides do Egipto?!» imagens de arquivo de pirâmide sob efeitos de pós-produção de filme barato de terror «E será que os lendários gigantes não eram seres humanos deformados, mas extra-terrestres vindos do espaço?» sequência rápida de fotografias de obras de arte antiga, de várias civilizações…

Tantas perguntas, tão poucas respostas, diria Brecht. Acabo de assistir a isto no National Geographic Channel. Podia ser só má televisão, mas é muito mais do isso, é a liberdade de fazer as mais absurdas e perigosas perguntas, a despeito de milhares de anos de respostas dadas, pensadas e trabalhadas, intoxicando as futuras gerações com fumos digitais da formidável nova idade das trevas.

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