Todos os artigos: Internacional

O corpo de John Brown

Há precisamente 155 anos John Brown subia ao cadafalso na Virgínia por liderar a guerrilha anti-esclavagista que, ao contrário do movimento abolicionista burguês, defendia que a insurreição armada era o único caminho para a libertação.

Isolado mas idolatrado pelos escravos, amado mas mal armado com espingardas antiquadas, as chamadas “bíblias de Beecher”, a revolta que Brown encabeçou foi facilmente sufocada e representou a derradeira rebelião armada dos escravos nos EUA. O subsequente desenrolar da História outorgou aos esclavagistas do sul e aos seus financiadores do norte a gestão, pontuada por cedências, do fim da escravatura e da perpetuação do racismo. Na ausência de uma revolução anti-esclavagista, os negros foram historicamente destituídos da agência da sua própria libertação e confinados a reivindicar ao poder sem reivindicar o poder. Há claro, excepções: Fred Hampton, Malcolm X e, claro, John Brown, que, entre muitos outros, conheceram destino semelhante: pena de morte. Para todos eles sobraram canções como “O Corpo de John Brown” que reza assim: “O corpo de John Brown apodrece numa cova / mas o seu espírito continua a marchar”.

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Há 30 anos sem Santi Brouard e Pablo González

Há 30 anos, neste mesmo dia, dois pistoleiros dos GAL entraram no consultório de Santi Brouard e abriram fogo sobre o dirigente comunista basco.  A comoção e a revolta espalham-se como pólvora. A polícia tenta impedir que os independentistas bascos levem o corpo do presidente do partido HASI. O Estado espanhol, através dos seus grupos paramilitares, acabava de assassinar um representante eleito do Senado Espanhol, do parlamento basco, vereador da Câmara Municipal de Bilbau e figura histórica da esquerda independentista basca.

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Cidadania à venda

Há um mar de mortos quando falamos de cidadania. Literalmente. Não apenas em Lampedusa, mas são aos milhares os que morrem a tentar obter a cidadania europeia para circular e trabalhar livremente naquela que é, para «eles», uma terra de oportunidades.

E ao passo que uma Europa podre retira os corpos sem vida dos que não conseguem chegar, vende a cidadania a quem a pode pagar. A cidadania e todos os direitos que lhe são inerentes.

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A repressão no Sudão de que ninguém fala

Está em curso uma violentíssima campanha repressiva contra o Partido Comunista do Sudão, que só nas últimas duas semanas já prendeu ou fez desaparecer mais de dez dirigentes. As poucas notícias disponíveis, dão conta de que no passado dia 3 de Novembro o próprio Secretário-geral Suleiman Ali terá sido detido pela polícia numa operação contra uma tipografia do partido.

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Amar em tempos de guerra

«Vós, que surgireis do marasmo em que perecemos, lembrai-vos também, quando falardes das nossas fraquezas, lembrai-vos dos tempos sombrios de que pudestes escapar. Íamos, com efeito, mudando mais frequentemente de país do que de sapatos, através das lutas de classes, desesperados, quando havia só injustiça e nenhuma indignação. E, contudo, sabemos que também o ódio contra a baixeza endurece a voz. Ah, os que quisemos preparar terreno para a bondade não pudemos ser bons. Vós, porém, quando chegar o momento em que o homem seja bom para o homem, lembrai-vos de nós com indulgência.»

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What every tourist should know before visiting Portugal

Although Manifesto74’s rightfully writing language is Portuguese, chances are that if you are planning to visit Portugal you most likely won’t speak a word of Portuguese. That’s why you should read this before setting foot on that airplane. With the recent boom in tourism (more than 40% in the past ten years) there’s been an increasing amount of deceitful information distorting what Portugal and Portuguese people are really about.

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Vêm aí os russos

Apesar do histerismo de Nuno Rogeiro, o Washington Post já veio dizer que os aviões russos não violaram a soberania do espaço aéreo português. Mas vamos supor que sim. Vamos supor que há espaço para mergulharmos colectivamente no delírio de que os russos se arrogaram no direito de voar nos céus do nosso país. Façamo-lo uma vez que há tempo e que o ébola já abandonou as preocupações dos principais órgãos de comunicação social. Enquanto não houver brancos a morrer da doença, deixemos os negros às mãos dos únicos que deles se preocupam: os médicos cubanos.

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A importância de se chamar Socialista

É verdade que quando alguém se intitula alguma coisa, por princípio devemos respeitar esse título. Cada pessoa pensa como pensa e sobre isso não há discussão. Mas também é verdade que há pessoas que produzem pensamento e pensamentos com base em pressupostos historicamente e factualmente errados. Apesar de um mesmíssimo facto servir, por vezes, para corroborar teses opostas, há factos que não se prestam a interpretações tão abertas e a leituras tão maleáveis. A estas pessoas, talvez tenhamos de chamar à atenção, talvez tenhamos de lhes dizer de forma franca e aberta que elas não são o que pensam que são.

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