Novo paradigma, competitividade, starvation, diferenciação, racionalização, transferência de conhecimento, mérito e excelência são algumas palavras acrescentando léxico à novilingua da direita liberal. Já utilizada para graçolas em qualquer café de esquina, para justificar a destruição do Sistema Científico e Tecnológico Nacional (SCTN), cavalgada a trote por uma FCT de tiranetes e corroborada pelo respectivo ministério e governo PSD/CDS, como parte da agenda ideológica que pretende desmantelar o ensino universitário público em conjunto com a investigação científica, onde reside uma das nossas melhores hipóteses de ombrear com países de tecido industrial desenvolvido e deixar para trás, de vez, o analfabetismo designado pelas políticas fascistas do Estado Novo.
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O Coelho e o tigre
Vamos falar baixinho, que Pedro Passos Coelho está de férias e avisou que as interrompe se isto der merda. Não é caso para tanto: Portugal perdeu numa década mais de meio milhão de jovens, cuja média salarial está cada vez mais longe da média nacional; o Tribunal de Contas divulgou que já perdemos 2,2 mil milhões com o BPN e o BES pode ser ainda pior; Os portugueses estão cada vez mais pobres.
Morreu o Carlinhos
O Robin Williams morreu, fica o meu respeito e admiração pelo actor que será sempre e por alguns filmes marcantes para muita gente. O “Clube dos Poetas Mortos”, por exemplo, também me fez pensar em muita coisa. Andava ali nos 14 anos, e recomendo a quem por lá ande agora que não deixe de o ver. É quando ele faz mais sentido. Mas sobre o Robin Williams muitas linhas se escreverão pelo mundo fora.
Castas? Só no vinho
Se a produtividade é baixa e a empresa tem dificuldades para sobreviver, a culpa é dos trabalhadores e trabalhadoras, já se sabe. Se a autarquia, o ministério, a repartição pública, a direcção-geral não é rápida na resposta administrativa e na resolução da burocracia, a culpa é dos trabalhadores e das trabalhadoras.
Em Portugal, as chefias de topo pertencem quase sempre à família “x”, “y”, ou “z”, e as intermédias, ou pertencem às mesmas famílias – esperando que os mais velhos desamparem o topo -, ou conseguiram através de muito bajulanço e favores, entrar para esta casta de elite que dirige o país. Nunca, mas nunca devemos apontar o dedo à gestão das chefias, de topo e intermédias, porque a família é sagrada e as castas divinas.
O salta-pocinhas sem vergonha
Um dos factos marcantes dos resultados das últimas eleições para o Parlamento Europeu (PE) em Portugal foi sem dúvida os 7% atingidos pelo Movimento Partido da Terra (MPT), que elegeu 2 eurodeputados. Tal não se deveu à captação de eleitores em torno do programa e posições do MPT, mas ao efeito do seu cabeça de lista, Marinho Pinto (cujas opiniões teremos de deixar de parte por questões de tempo).
Viver e crescer na Juventude Comunista
A vida está cheia de aniversários importantes que ninguém celebra: aprender a andar de bicicleta, o primeiro dia de escola, a última vez que abraças alguém de que gostas, o momento em que compreendes alguma coisa essencial sobre o mundo em que vives. Hoje, há precisamente 12 anos atrás, eu subia a velha escadaria do Centro de Trabalho do PCP na Amadora e tornava-me militante da Juventude Comunista Portuguesa.
Eu tinha 14 anos e os trabalhadores da SOREFAME estavam em luta. Eram operários altamentes especializados e com décadas de experiência a fabricar comboios, barragens e maquinaria pesada. Quando os patrões decidiram deslocalizar a produção, os trabalhadores disseram não. Eram o coração e o orgulho da Amadora operária, não se iam render. Então os capitalistas arquitectaram um plano para roubar a maquinaria durante a calada da noite.
Das desigualdades da morte #revisitado.
Em Agosto de 2013 escrevi este texto sobre a morte do meu Pai.
Hoje li que «A padecer de uma leucemia aguda, Manuela Estanqueiro, uma professora de 63 anos, viu a Caixa Geral de Aposentações negar-lhe a reforma duas vezes. A instituição só emendou a mão escassos dias antes de a docente morrer, em 2007, depois de a ter forçado a dar aulas em grande sofrimento.».
Deixo-o novamente, para que ninguém se esqueça que nem na morte somos iguais.
O trabalhador morreu
«Tira o chapéu, milionário, vai um enterro a passar. Foi a filha de um operário, foi a filha de um operário, que morreu a trabalhar.»
Lembro-me exactamente da primeira vez que ouvi frase, cantada entre a «gota d’água», com uma adaptação popular dos militantes comunistas. Sentada em Aveiro, na nossa Festa, olhava os camaradas cuja veia vibrava nas suas gargantas enquanto entoavam as letras que desconhecia. E imaginava um homem, de fato, com um grande chapéu, olhando os operários com as suas fardas azuis envergando um pequeno caixão.
Mas essa imagem era sempre desenhada com figurinos de um século que já não era o nosso. Talvez fosse a época pós revolução industrial, a introdução do taylorismo, o fordismo, os ritmos intensos, as imagens de Chaplin a apertar os botões da roupa dos transeuntes com as suas chaves de fendas.