A criançada só atrapalha. Razão tem aquela deputada israelita capaz de arrastar consigo os corações de todos os homens. Uma beleza tão europeia e delicada que é impossível não acreditar em tudo o que nos possa dizer Ayelet Shaked. As mães palestinianas devem ser assassinadas porque dão à luz pequenos répteis. As suas casas devem ser demolidas para deixarem de albergar terroristas. Não sei que efeito terão tido as suas palavras sobre os militares israelitas que esta tarde metralharam quatro crianças que jogavam futebol numa praia de Gaza. Mais um aborrecimento para os porta-vozes do único país que não tem regime no Médio Oriente. A única democracia da região teve de inventar uma desculpa para o acontecimento. Aos dóceis correspondentes estrangeiros bastou-lhes a razão apresentada: na praia, havia um contentor que era do Hamas. Não havia necessidade para tanto esforço. Se lhes dissessem que os chapéus-de-sol eram propriedade daquela organização, também servia.
As vantagens competitivas da desertificação
Foi ontem no “frente a frente” da SICn: o mesmo cavalheiro que há tempos atrás referia, perante a incredibilidade dos portugueses, que o país está melhor (apesar do povo se encontrar em pior situação), deu ontem novo contributo para o triste e bizarro anedotário político dos partidos do arco da Banca ao afirmar que existem oportunidades competitivas que resultam do encerramento de serviços públicos no interior do país.
Sem se rir da própria tirada foi acrescentando que é demagogia afirmar-se que os encerramentos contribuem para a desertificação do interior, argumentando com a relação inversa entre o histórico de criação de infra-estruturas nas zonas onde agora encerram e a constante diminuição de população nos distritos portugueses mais afectados pelo despovoamento e pela depressão social e económica.
Os senhores 1%
Fomos todos apanhados de surpresa. Por esta é que ninguém esperava. Quem poderia adivinhar? Então não é que um quarto de toda a riqueza nacional se encontra concentrada em apenas 1% da população? Haverá por certo quem se interrogue, com genuíno espanto, sobre quem constituirá de facto este punhado de oligarcas barrigudos, que vive no mesmo país em que mulheres grávidas chegam com fome aos hospitais. Não é fácil, pois não?
A Graça e as indignas feministas do “buço armado”
Este texto carece de duas explicações: eu sou de Viseu e venho aqui de vez em quando matar saudades da família, da comida e de alguns amigos; o “Jornal do Centro” é um jornal semanal do distrito, e todas as semanas uma pessoa de cada partido com assento na Assembleia da República escreve uma crónica. Para compreender este texto é preciso ler a crónica da Graça Canto Moniz, do CDS/PP de Viseu – é só clicar na imagem, não custa nada.
Um governo com política de esquerda é possível
Num artigo publicado no Expresso, Daniel Oliveira, a propósito do último episódio de fragmentação do Bloco de Esquerda, declara que: «A esquerda precisa de quem seja duro de roer mas saiba chegar a compromissos.» Neste caso não se trata do compromisso de direita, a que episodicamente o Presidente Cavaco pisca o olho, entre os partidos da troika nacional, CDS+PSD+PS, mas a um compromisso entre um destes partidos, o PS, e os partidos, movimentos e personalidades de esquerda. DO não é o única a critiar estes elementos pela falta de alianças à esquerda. Os argumentos são diversos: ortodoxia, inflexibilidade, intransigência, ou à falta de um programa de governabilidade, ou, por mim (a razão mais absurda) à falta de vontade de governar, preferindo estar “no contra”.
Seis meses
Há seis meses atrás o grupo Martifer, ou a empresa West Sea – criada para esse mesmo fim, tomou conta dos nossos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, no tristemente famoso processo de subconcessão. O ano havia começado há 10 dias e dava-se a machadada final naquela que foi, e podia continuar a ser, uma das mais importantes empresas da região alto-minhota. As promessas de criação de postos de trabalho e contratos para construção e reparação naval, de forma a salvar os ENVC, eram o pão nosso de cada dia. Seis meses se passaram. O que temos hoje em Viana do Castelo?
Isto é genocídio – Somos todos palestinos
Na Palestina, a cada três dias uma criança é assassinada por Israel. Nunca conheceremos os seus nomes, nunca ouviremos entrevistas com os seus pais, nunca veremos as suas caras. Porque um rocket palestiniano ser interceptado pelo escudo anti-misséis é mais relevante do que a vida de uma criança ser interceptada por uma bomba inteligente. Porque as lágrimas dos palestinianos valem menos que as de um israelita.
*o sentimento de insegurança gerado pelas autoridades policiais – filmes na estação de comboio
Este post é uma republicação de um texto não assinado que relata uma sexta, de madrugada, na Estação do Rossio, em Lisboa, retirado daqui.
Sexta-feira à noite, estação do Rossio, em Lisboa: mais uma “operação policial para identificação de pessoas suspeitas de entrada e permanência ilegal no país”(…) e “do cometimento de certos crimes.”… Um grande aparato policial junta SEF, PSP e fiscais da CP. Objectivo: controlar os passageiros, nomeadamente imigrantes, enquanto saem das carruagens um a um, verificar a identificação de todos e, já agora, o título de transporte válido. Não é a primeira, não será a última, têm vindo a aumentar. Aliás, nessa noite há, em simultâneo, operações policiais semelhantes em várias zonas da cidade e na periferia. Quantas mais se juntarmos outras cidades e outros dias?