Aprender e ensinar

Ontem, a Escola Pública transformou-se num circo triste, como são – para mim – quase todos os circos. Há qualquer coisa nos circos que me deixa melancólico e agoniado. Não sei se é do chão em terra, da tenda em cima do descampado, da nobreza de uma arte que se faz hoje com fatos gastos, coçados, entre apresentadores que se transformam em malabaristas e vão a correr vestir o fato para caminhar no arame. Ler mais

O mito da “unidade das esquerdas”

Há um mito sobre a “unidade da esquerda” ou sobre a “unidade das esquerdas” que me faz uma certa confusão e que julgo prejudicar o debate e o surgimento de soluções políticas que se configurem como alternativas. De certa forma, posso simplificar as minhas apreensões: Ler mais

Entretanto, na Grécia…

E de repente a Grécia desapareceu do nosso quotidiano. É por ter desaparecido o espectáculo – porrada – das manifestações? Será que a TVI gastou todo o dinheiro destinado a assuntos gregos a transmitir o Olympiakos – Benfica? Vá lá que quem transmite os jogos da Liga Europa é a SIC, senão PAOK – Benfica, nicles. Veio um gigante enorme que comeu a Grécia com azeite, azeitonas e pão pita? Ou será que é porque o governo grego bateu o pé à troika – devagarinho, mas bateu – ao aprovar um Orçamento do Estado que não corresponde à totalidade do que FMI, UE e BCE exigem de Atenas e isso incomoda um bocadinho? Ler mais

“Paz social”

O cavalheiro que ocupa a relevante posição de vice-primeiro ministro de Portugal afirma, gozão, que a “paz social” é uma singularidade do chamado “ajustamento” português. Afirma-o aliás no mesmo dia em que um estudo dedicado ao tema do consumo vem apontar um cenário absolutamente evidente para quem vive o dia-a-dia do Portugal popular: “depois de pagarem todas as contas, 39% dos portugueses ficam sem dinheiro para o resto do mês“. Conheço-o (ao cenário) na primeira pessoa. Ler mais

«Eu disse a Estaline que não construísse o Palácio dos Sovietes. O edifício mais alto do mundo seria alemão. Mas ele não quis saber e pôs-se a construí-lo. Se é guerra que quer é guerra que terá»

Falar sobre Hitler, sobre a II Guerra Mundial, sobre as mortes de milhões de russos, homossexuais, judeus, ciganos é ainda, na memória e representação colectiva, um assunto sempre abordado com o maior dos cuidados para que não se ofenda a concepção pessoal e, muito menos, a história recente. Ler mais

Palavras do ano

O André Albuquerque, neste mesmo blogue, chamava à atenção para a recriação da linguagem como forma de mascaramento do sistema e respectivas práticas políticas. Exemplificava com alguns conceitos. E é verdade. É uma terrível verdade. A utilização das palavras está no centro da batalha ideológica, ou, melhor dizendo, no centro da construção e da desconstrução das concepções do mundo, da humanidade, da sociedade, da história, da política. Os exemplos do André são, para muitos de nós, facilmente decifráveis (uns mais do que outros). O que não será tão facilmente entendível, e o André de certo modo abordava-o, é a desdramatização ou desvalorização do uso das palavras também como forma de manipulação das mentalidades. Ainda há poucos dias

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De avaliação positiva em avaliação positiva, até à destruição total

O Pacto de Agressão assinado por PS, PSD e CDS e pelo FMi, BCE e UE tem sido um tremendo sucesso. Na verdade, os objectivos com que o Partido Socialista enviou o à troika estrangeira as suas disponibilidades e compromissos em Maio de 2011, estão muito claros no texto desse Memorando. Os objectivos eram desde o início os mesmos: assegurar a constituição de novos monopólios e a protecção dos existentes, por um lado; e o aumento da taxa de exploração do Trabalho pelo Capital, por outro. Ler mais