Está tudo em polvorosa. Trump ganhou as eleições. Nos mercados, sempre racionais, as bolsas começaram a cair mas acalmaram após a declaração do novo presidente dos EUA, que não falou em muros nem bombas nucleares nem em agarrar mulheres pela vagina. Os próximos tempos têm tudo para ser interessantes e há tanto para analisar que não há-de caber neste texto, nem em centenas de outros tantos que vão produzir-se. Nos EUA, a política deixou de ser política e passou a ser espectáculo, há muitos anos. Se é que algum dia a política foi política naqueles estados. Sendo espectáculo, ganhou um show man produzido e adorado pelos media por ser excêntrico. Um grunho, mas um grunho excêntrico, e é isso que vamos todos comendo no quotidiano. O discurso de que os políticos são todos iguais é o que mais vende nos nossos dias, principalmente por cá. Se é verdade que há muitos que o são, há outros tantos ou mais para quem isto é uma comparação injusta. Não é preciso ser “especialista” no que quer que seja para perceber no que dá. Mas todos os dia se dá tempo de antena a gente que não faz mais do que acusar os políticos, essa entidade estranha que ninguém sabe bem quem é, mas que é suficientemente abrangente para sacudir culpas e lançar acusações. Basta ver, por exemplo, a quantidade de personagens “independentes” com ambições políticas que têm vindo a ganhar espaço em todos os espaços, dos media às autarquias.
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“Rebeldes”
Com o “Estado Islâmico” a desaparecer a alucinante velocidade das notícias que por cá passam sobre a Síria, a expressão “rebeldes” (durante algum tempo caída em desuso e outrora usada no contexto da agressão contra a Líbia, que deixou o país à mercê do jihadismo transnacional) regressou em força às páginas dos jornais, noticiários radiofónicos e comentários televisivos sobre os mais de cinco anos de destruição absoluta daquele que foi um dos mais desenvolvidos e estáveis países da mais instável região do globo terrestre.
Uma pipa de chantagem
Em Julho de 2014 o então presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, veio a Portugal anunciar 26 mil milhões de euros de fundos comunitários para apoiar Portugal e a sua economia. Nessa altura referiu-se aos “apoios” comunitários como “uma pipa de massa”, e prescreveu uma mordaça àqueles que “dizem que UE não é solidária”. Acontece que dois anos passaram, Barroso alcançou a reforma dourada no polvo financeiro norte-americano Goldman Sachs, e a “pipa de massa” comunitária passou a ser uma arma de chantagem da burocracia de Bruxelas contra Portugal e o tímido exercício de soberania que inverteu algumas das muitas malfeitorias levadas a cabo pelo governo PSD/CDS entre 2011 e o fim de 2015.
Brasil – Não existe pecado do lado de baixo do equador!
Quando os colonizadores chegaram levavam consigo a moral hipócrita imposta por normas religiosas que vigoravam na Europa de então. Comportamentos que eram reprováveis à luz da moral de então na Europa mas que, nos trópicos, pela distância e condição dos povos colonizados, quase tudo se permitiam fazer.
Fruto ou não desse largo e marcante período histórico, a sociedade brasileira não só não conseguiu superar estas características negativas que alicerçam também a sua formação como nação, como as ampliou à gigantesca dimensão actual do país.
Intoxicação de guerra
Nos últimos dias, na devastada cidade síria de Aleppo, tem ganho progressivo espaço mediático o emocionante caso de uma menina de nome Bana Alabed, de sete anos de idade apenas, e que por via da rede social twitter, vem partilhando preocupações, apelos políticos e outras mensagens sobre o seu dia-a-dia na guerra.
Drone bomb me*: como os EUA constroem monstros universais
Chamem-lhe teorias da conspiração, chamem-lhe fanatismo, chamem o que quiserem, mas basta procurar um bocadinho pelos sítios onde a informação não é detida por senhores da guerra e do dinheiro e o rasto está lá: para quem o quiser ver.
O Daesh, esse último grande monstro universal, afinal quer o quê e está ao serviço de quem?
Colômbia
A concretização do acordo de paz entre o estado colombiano e as FARC-EP é um acontecimento de ímpar importância na história da Colômbia, da América Latina e do continente Americano.
Greve prisional nos EUA contra a escravatura moderna
No 45º aniversário do levantamento prisional em Attica, iniciou-se ontem uma greve nacional de presos em mais de 24 estados dos EUA, contra comida e cuidados de saúde inadequados, condições de sobrelotação, pressão e isolamento prolongado, e o ciclo do próprio sistema criminal que cria um sistema de escravatura moderna. Os promotores, que incluem o Support Prisoner Resistance, o Incarcerated Workers Organizing Committee, e o Free Alabama Movement, apelam ao fim da escravatura na América, alertando não só para as condições dentro das prisões, mas para todo o sistema repressivo racista e de classe, desde a ligação entre punição nas escolas e a criminalização juvenil (school to prison pipeline), ao quotidiano terror policial nas cidades, o enviesamento racial da polícia e sistema penal, a falta de apoio jurídico, as fianças proibitivas, as penas injustas, os controlos após a libertação, etc.