Todos os artigos: Internacional

Gostar de futebol não é alienação

Quando era puto, não havia muito que fazer. Enquanto os nossos pais e avós trabalhavam nas oficinas, na construção e nas fábricas, sobrava tempo para intermináveis jogos de futebol. As balizas do ringue não duraram muito. A partir desse dia passámos a usar pedras ou as próprias mochilas quando regressávamos da escola. Às vezes, quando entendíamos que tínhamos direito aos nossos mágicos duelos em campos mais apropriados, arriscávamos. Atravessávamos um descampado, onde nos duros tempos da heroína se injectava toda uma geração, fugíamos duma matilha de cães que guardava várias oficinas e saltávamos um muro que protegia o ringue de uma associação.

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E de súbito, o ISIS passa a “extremista” (quando na verdade é apenas e tão só islamofascista)

O alarmes soam nos quartéis dos grandes falcões da guerra das potencias ocidentais. O som é cínico, envergonhado e comprometido, mas no espaço público os semblantes estão carregados e os discursos repletos de indignação: o grupo armado “Estado Islâmico do Iraque e do Levante” tomou de assalto toda a região do Iraque que faz fronteira com a Síria e a sua marcha sobre Bagdade parece eminente. Por cá oiço as notícias e leio os jornais para verificar que os mesmíssimos islamitas de extrema-direita que na Síria são designados como “rebeldes”, do lado iraquiano da fronteira passam a “extremistas”. Salva-se o “i”, que apesar de tudo se mantêm coerente e títula “Rebeldes às portas de Bagdade“, preservando o estatuto do grupo islamo-fascista.

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Normandia

É inegável a importância do desembarque na Normandia, ocorrido a 6 de Junho de 1944 (sublinho, 1944) para o desfecho da II Guerra Mundial. É inegável o heroísmo daqueles que desembarcaram na Normandia. Muitos dos soldados envolvidos na operação pagaram o mais alto preço e os seus camaradas que sobreviveram recordam-nos seguramente como exemplos de altruísmo e coragem. Sem o desembarque na Normandia os acontecimentos posteriores teriam certamente seguido um rumo diferente.

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Mudam o rei espanhol para que nada mude

O ditador Francisco Franco preparou o jovem príncipe Juan Carlos para lhe suceder e garantir a manutenção do poder político e económico às classes dominantes. Quase sempre, as oligarquias sabem o que fazem. Os grandes grupos económicos e financeiros espanhóis foram os principais beneficiários da transição. Essa etapa histórica imposta por Madrid aos demais povos do Estado espanhol é, ainda hoje, elogiada pelos que criticam duramente os excessos da revolução portuguesa. Ali, placidamente, o ditador morreu na cama sem ser julgado e Juan Carlos assumiu as rédeas do Estado para alimentar com muitos cosméticos a nova realidade política. De facto, o poder económico manteve-se praticamente intacto e as instituições permaneceram sob controlo da órbita franquista: polícias, militares, juízes, professores, jornalistas, etc.

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A quem servem as “extremas”?

Depois das Eleições para o Parlamento Europeu foram várias as análises e reflexões. Como sempre, há uma linha de análise que se tenta impor como oficial ou que pelo menos é mais difundida. A verdade é que os números destas eleições em todos os países da União Europeia, trouxeram muitas novidades e fugiram bastante às balizas que permitem repetir que independentemente dos resultados quem ganhou foi o “projecto europeu”.

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FARC-EP, 50 anos de resistência!

Neste dia, há meio século, um grupo de 46 homens e duas mulheres resistiam a um cerco militar montado pelo governo da oligarquia colombiana. Vagas sucessivas de ataques de um exército formado por milhares de soldados apoiados por carros de combate, bombardeiros da força aérea e forças norte-americanas de elite não conseguem derrotar o punhado de camponeses. Meses antes, a direcção do Partido Comunista Colombiano envia Jacobo Arenas, membro do Comité Central, para apoiar politicamente no terreno a pequena força insurgente. Marquetalia, o nome da povoação que alberga os combatentes, entra para a história da Colômbia. Em San Miguel, cai em combate um dos mais destacados resistentes, Isaias Pardo. Apesar disso, os 48 guerrilheiros não só rompem o cerco como conseguem sob o comando de Manuel Marulanda Vélez transformar o pequeno grupo na mais importante organização guerrilheira da América Latina.

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