Todos os artigos: Nacional

Torniquetes e Barreiras

É sempre o mesmo espectáculo. O saltar metálico das rodas do comboio, os corpos apertados «com licença…» a evitar inevitavelmente tocar nos outros. E eis que «Senhores passageiros!» grita aos altifalantes uma voz respeitosamente agastada «É favor não forçar as portas do comboio!». Quando os travões chiam, o sol ainda vai alto na estação de Queluz-Belas, uma enorme barraca de alumínio no meio dos prédios. «Vai sair? Com licença». Depois, a multidão transborda como uma bebida gasosa agitada durante toda a viagem, arrastando consigo os que ficaram presos ao varão central e que só queriam sair na próxima.

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Soltas que domingo nos trouxe (sim, também se fala de abstenção neste texto)

Notas muito soltas que vêm do último domingo, mais baseadas nos números do que noutra coisa. Não me apetece, por exemplo, escrever Marinho Pinto mais do que as vezes estritamente necessárias:- resultados finais da votação de domingo, em todos os países da União Europeia, aqui, em Portugal, aqui

– os resultados eleitorais em Portugal reflectem uma realidade que se verificou por toda a Europa, uma maior dispersão de votos pelas forças que normalmente não estão nos governos e uma forte condenação dos partidos que normalmente estão;

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Breves notas sobre a campanha eleitoral

NOTA 1 – PS e PSD-CDS , à semelhança de outras campanhas, trocam acusações parvas entre si como quem joga ping pong. Evocam a Honra, a Dignidade, exigem pedidos de Desculpa, afirmam não ter medo e mandam o adversário ter juízo. Tudo para esconder as profundíssimas semelhanças políticas entre eles. De facto, para encontrar diferenças entre as votações destes três partidos é preciso uma lupa e, ainda assim, será difícil. É a alternância disfarçada de alternativa. Teria graça se não fosse a nossa vida a estar em causa.

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Da inevitabilidade abstencionista *ou um ensaio sobre o abstentor

Dos radicais aos abstencionistas, aos anarcas comunistas, anarco-sindicalistas, debordistas, situacionistas, bakuninistas, proudhonionistas, anti-troikistas e outros istas para os quais ainda não foi inventada um gaveta para que sejam engavetados da forma como engavetam os partidaristas, e, no caso que me interessa, os comunistas (não, estes não estão em itálico porque é mesmo o que nós – eu – somos) tenho vindo a ler os testemunhos prestidigitadores na blogosfera (ainda se usa esta palavra?) com odes à abstenção/reflexão/discussão.

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Marx chegou a Lisboa

Marx chegou a Lisboa. Passou pelo filtro do spam e através da racha na parede. Entrou pelo buraco de um sapato velho. Esgueirou-se numa corrente de ar, quando se esqueceram da porta do centro de emprego aberta. Veio com os cartazes e os panfletos e os grafitis nas paredes. Ler mais

CDU e Bloco – Diferenças de Classe

Fotografia retirada do site Esquerda.net

João Teixeira Lopes, dirigente do Bloco de Esquerda, acaba de dar à estampa um sórdido artigo sobre as diferenças entre o BE e a CDU, em que, grosso modo, ficamos a saber da coerência do primeiro e do sectarismo do segundo. Malgrado não seja meu costume dar réplica à espuma que a infantilidade deste partido vai salivando no calendário, este escrito é tão intelectualmente desonesto e reveste-se de tão torpe violência que não pode acabar sem desmentido. Mas fique mónita, em jeito de declaração de interesses, sobre a minha cor: sou militante de base do PCP e, infelizmente, não sou tão livre como os eleitos (europeus ou municipais) que o BE gosta de empoleirar antes de partirem para mais altos voos, em novas e distantes paragens no colo do PS e da Direita. Terão que desculpar-me os dirigentes do BE tão sectário comprometimento, que confio não enjoar estas linhas.

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Daqui ___________________ ali, já não há nada a perder

É fácil ouvir a desesperança nas palavras quotidianas. Na verdade, a economia “de mercado”, a obsessão com défices, as “regras de ouro” acabaram por transformar, passo a passo, na mesmíssima estrada percorrida há muitas décadas, cada um de nós para cada um dos outros em mais um.

Mais um que consome recursos do Estado, mais um que rouba empregos, mais um que se vende cada vez mais barato baixando os salários de todos, mais um doutorado, mais um analfabeto, mais um sem subsídio de desemprego, mais um subsídiodependente.

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