Todos os artigos: Nacional

Em meu nome, não.

Era uma vez uma lei chamada Constituição. Todas as pessoas tinham que a cumprir. Se não cumprissem, começavam a receber cartas e a ficar sem o ordenado. Deixavam de poder ir a hospitais, à escola, etc. Mas sabiam que enquanto contribuíssem colectivamente havia mais casas, mais transportes, mais jardins e por isso protegiam essa lei, porque lhes dava garantias de todos poderem brincar, estudar, tratar as feridas, ler livros, enfim.
Mas um dia chegaram uns senhores com uma pandeireta e muito bem dispostos. Disseram «o que é isso, a Constituição»? Começaram a fazer muitas festas e com pessoas que falavam muitas línguas. Construíram uma casa muito grande e começaram a comprar as escolas, os hospitais, as bibliotecas, os jardins. Até a praia tinha o nome de um desses senhores.

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Uma moção do povo

Desde que o PCP, pela voz do seu secretário-geral, anunciou que iria apresentar uma moção de censura ao governo, que não pararam as conjecturas sobre o real significado da mesma e sobre a sua “utilidade”. Nada de novo. O PS, em desespero de causa, e como é costume, vitimizou-se tomando as dores de alvo a abater pelo PCP, considerando a moção como um «frete ao governo», anunciando contudo que votaria «a favor». Se, por um lado, se trata de uma moção que pelas circunstâncias de o governo ter maioria no parlamento terá os mesmíssimos efeitos práticos que teve a moção do próprio PS, por outro, o PS entende, assume, mas não admite nem pode admitir, que aquilo que o PCP combate com esta moção de censura, é também aquilo que, em grande medida, o PS defende e já começou por pôr prática com os PEC’s, bem como com as políticas levadas a cabo pelos seus anteriores governos.

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Torniquetes e Barreiras

É sempre o mesmo espectáculo. O saltar metálico das rodas do comboio, os corpos apertados «com licença…» a evitar inevitavelmente tocar nos outros. E eis que «Senhores passageiros!» grita aos altifalantes uma voz respeitosamente agastada «É favor não forçar as portas do comboio!». Quando os travões chiam, o sol ainda vai alto na estação de Queluz-Belas, uma enorme barraca de alumínio no meio dos prédios. «Vai sair? Com licença». Depois, a multidão transborda como uma bebida gasosa agitada durante toda a viagem, arrastando consigo os que ficaram presos ao varão central e que só queriam sair na próxima.

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Soltas que domingo nos trouxe (sim, também se fala de abstenção neste texto)

Notas muito soltas que vêm do último domingo, mais baseadas nos números do que noutra coisa. Não me apetece, por exemplo, escrever Marinho Pinto mais do que as vezes estritamente necessárias:- resultados finais da votação de domingo, em todos os países da União Europeia, aqui, em Portugal, aqui

– os resultados eleitorais em Portugal reflectem uma realidade que se verificou por toda a Europa, uma maior dispersão de votos pelas forças que normalmente não estão nos governos e uma forte condenação dos partidos que normalmente estão;

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Breves notas sobre a campanha eleitoral

NOTA 1 – PS e PSD-CDS , à semelhança de outras campanhas, trocam acusações parvas entre si como quem joga ping pong. Evocam a Honra, a Dignidade, exigem pedidos de Desculpa, afirmam não ter medo e mandam o adversário ter juízo. Tudo para esconder as profundíssimas semelhanças políticas entre eles. De facto, para encontrar diferenças entre as votações destes três partidos é preciso uma lupa e, ainda assim, será difícil. É a alternância disfarçada de alternativa. Teria graça se não fosse a nossa vida a estar em causa.

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Da inevitabilidade abstencionista *ou um ensaio sobre o abstentor

Dos radicais aos abstencionistas, aos anarcas comunistas, anarco-sindicalistas, debordistas, situacionistas, bakuninistas, proudhonionistas, anti-troikistas e outros istas para os quais ainda não foi inventada um gaveta para que sejam engavetados da forma como engavetam os partidaristas, e, no caso que me interessa, os comunistas (não, estes não estão em itálico porque é mesmo o que nós – eu – somos) tenho vindo a ler os testemunhos prestidigitadores na blogosfera (ainda se usa esta palavra?) com odes à abstenção/reflexão/discussão.

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Marx chegou a Lisboa

Marx chegou a Lisboa. Passou pelo filtro do spam e através da racha na parede. Entrou pelo buraco de um sapato velho. Esgueirou-se numa corrente de ar, quando se esqueceram da porta do centro de emprego aberta. Veio com os cartazes e os panfletos e os grafitis nas paredes. Ler mais