Todos os artigos: Nacional

A pontaria zarolha da direita que se diz de esquerda

Não fosse a partilha do link por parte de um camarada e a notícia publicada pelo Sol sobre a pontaria zarolha que o PS faz o PCP no quadro das eleições para o parlamento europeu ter-me-ia passado ao lado. A notícia não é, em bom rigor, ilustrativa de novidade alguma. O PS faz desde 1975 pontaria ao PCP e seus militantes, seja no quadro das instituições, seja fora delas. A direita – mesmo aquela que se diz de esquerda – sabe bem a quem apontar, sabe de onde vem o perigo real de uma ruptura com o sistema que alimenta, e a alimenta.

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Abril, exclama-se!

Nasceu a 10 de Abril e fez quarenta anos este ano.
Enquanto falávamos das notícias eu disse-lhe «imagina que o Governo ia agora a qualquer sítio e, de repente, os militares cercavam o edifício e o pessoal ao saber disso enchia as ruas e não os deixava sair…
– Os militares? Tinham que ser os militares?
– Não sendo, provavelmente vinham os robocops e apanhávamos todos porrada.
– Mas estás a dizer isso no dia 25?
– Um dia, um dia qualquer!
– Não. Foi isso que aconteceu? No dia 25? Estou farta de perguntar, nunca ninguém me explicou!»

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Paulo Portas e outros tantos mentirosos

“O senhor diz que uma série de pessoas saíram do RSI, esquece-se de dizer que essas pessoas deixaram de ter rendimento mínimo porque, por acaso, tinham mais de 100 mil euros na conta bancária.”
De quem é esta frase? Do vice-primeiro ministro, Paulo Portas. A afirmação é verdadeira? Não. Então porque se sente no direito de mentir o vice-primeiro ministro Paulo Portas? Mais, porque se sente no direito de mentir em pleno Parlamento?Porque se sente impune e porque uma das maiores e mais eficazes armas que este governo utiliza é a mentira descarada e a manipulação dos números. Esta arma não é nova, e nem sequer exclusiva deste governo, digamos que, principalmente, desde os tempos do cavaquismo, ela tem feito o seu caminho e ganho a sua importância.

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Os sábios

Escreve o Expresso que os “sábios” que o governo convidou para estudarem questões ligadas à segurança social e a eventuais reformulações no sistema de pensões estão “furiosos”. A razão da fúria parece ser sentirem-se utilizados pelo governo que nunca os ouviu verdadeiramente, e que agora anuncia – pela voz do primeiro-ministro – que uma solução que desconhecem está já desenhada para destruir um pouco mais (ou então totalmente, não se sabe bem…) a segurança social pública, solidária e universal.

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Política e Geometria 3

O Governo Sombra, que começou por ser transmitido apenas na rádio, passou depois para a televisão e agora é repetido umas duas vezes na televisão ao fim-de-semana, tal não é o seu sucesso (ou tal não é a falta de investimento em programação destes órgãos de comunicação social), é o mais lúdico dos programas de debate político ou não fora a presença de Ricardo Araújo Pereira, que não só anima o programa com o seu inegável sentido de humor como, com alguma diplomacia associada a esse humor, vai largando tiradas que tornam o programa tolerável. Tolerável é a palavra certa, porque um outro interveniente no programa, João Miguel Tavares, desequilibra a balança da qualidade com as suas saídas pretensamente informadas, pretensamente críticas, pretensamente inteligentes, atropela as intervenções dos outros participantes e até dá a sensação que tem autorização superior para o fazer. Ler mais

Capitalismo para totós VI – Lucro

O lucro, banalizado por séculos e séculos de exploração e opressão, e particularmente sacralizado durante o advento e a consolidação do Capitalismo, é essencialmente o resultado de uma apropriação, legitimada pela lei que é, por sua vez, escrita e decretada pelos representantes de quem se apropria.
Todo o lucro representa uma apropriação dos frutos do trabalho alheio, e nenhum lucro é legítimo moralmente, apesar de o ser legalmente.

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A ditadura do gosto e a ditadura do mercado

Um Nuno Ferreira, que achou piada a descrever-se como “nascido no segundo mês dos anos 80 e gosta de gelatina de morango” decidiu partilhar com a humanidade uma crónica no P3 sobre, pensará ele, “cultura”. O Nuno Ferreira, de quem mais não sei além do que ele próprio connosco partilhou, ou é um habilidoso propagandista da direita ou é um idiota chapado, o que – bem sei – não é absoluta nem mutuamente exclusivo.

A “crónica” sobre “cultura”, se tiverem o cuidado de ler, redunda apenas numa “redacção” sobre “gosto”, o que são coisas diferentes na forma e no conteúdo.

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Capitalismo para totós V – Classe Social

A noção de classe é fundamental para se compreender a mensagem do sistema capitalista, tal como daqueles que lhe resistem e propõem a sua superação. A classe social é a unidade política na análise marxista, pelo facto de ser o que distingue os interesses. Para os marxistas, a classe é definida com base na posição de cada um perante os meios de produção. O capitalismo tenta infundir uma noção diferente, baseada no vencimento. Todavia, os interesses políticos das pessoas que ganham mil euros não são todos os mesmos, enquanto que os interesses políticos dos que são trabalhadores são iguais entre todos.

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