Em O Barão Trepador, de Italo Calvino, um jovem aristocrata trepa a uma árvore e recusa descer novamente à realidade. Rui Tavares, trepador de outras árvores de não inferior baronia, escreveu este artigo no Público, em que explica que a Europa não consegue sair da crise por culpa desta estúpida cultura de divisão, que vira os povos contra a Merkel, o Schaeuble e os seus banqueiros.
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Sauditas e Wahhabitas – Mil e uma noites de hipocrisia e terror*
Os estado-unidenses têm uma forma curiosa de lidar com a morte. No velório, em vez do pranto e das assoadelas, escuta-se o álbum favorito do falecido e contam-se anedotas sobre a sua vida. E o cemitério, que dificilmente um português escolheria para um agradável piquenique, é, para o americano, apenas um relvado: sem cruzes tétricas nem largos lutos, nem nada de lúgubre até onde a vista alcança. E no entanto, nem os mais pronunciados matizes da cultura, nem os sempre complexos rendilhados da língua, explicam o singular critério de Barack Obama para a morte de outros chefes-de-estado.
Uma questão de rigor.
Acho interessante e até justo que se lembre a República Federal da Alemanha, de forma tão regular quanto necessário, que após a II Grande Guerra aquele país beneficiou de um importante perdão relativo à colossal soma de dinheiro que, nos termos dos Acordos de Potsdam, era devida a alguns dos países “aliados”.
É todavia importa notar – ter presente quando se aborda o tema – que a RFA era, nesse momento histórico, apenas uma parte da Alemanha. E que a RDA não beneficiou do mesmo tipo de perdão acabando por pagar à URSS – de muito longe o mais devastado e martirizado país da Guerra -, nos termos de Potsdam, a quase totalidade das reparações devidas.
A libertação de Auschwitz aconteceu há 70 anos
Sobre o tema, leitura aconselhada aqui.
Seis notas sobre as eleições gregas
Estou como o André: não sou grego, não conheço de forma profunda a realidade grega e, na melhor das hipóteses, serei um observador mais ou menos atento, sem pretensões a autoridade na matéria.
O ANEL do SYRIZA
Não sou grego nem vivo na Grécia, logo não consigo analisar a realidade grega como um grego ou alguém que viva na Grécia. Não fico contente com vitórias de partidos políticos, nem em Portugal, nem na Grécia, nem em lado nenhum, fico contente quando vejo políticas progressistas a serem aplicadas. O SYRIZA ganhou, ainda bem, no seu programa apresenta um grande número de políticas progressistas, umas mais avançadas, outras mais recuadas, todas baseadas na realidade de uma Grécia inserida na União Europeia e na realidade interna da organização social e política grega. Ficarei então contente quando e se a vida de quem trabalha na Grécia melhorar.
“Teorias da conspiração”
Nota prévia: este post não é sobre os acontecimentos de Paris.
É sabido que, perante acontecimentos inesperados e altamente mediatizados, existe uma tendência evidente e quase incontrolável associada ao surgimento das chamadas “teorias da conspiração”. Estas “teorias” são geralmente explicações alternativas para os incidentes a que se referem, nuns casos fantasiosas e construídas com base em pressupostos errados ou simplesmente falsos, noutros casos nem tanto.
Não há unidade – nem republicana, nem democrática nem ocidental
Esta é mesmo das raras fotografias que vale mais que mil palavras. Os líderes das chamadas “democracias ocidentais” desfilaram juntos pelas ruas de Paris, unidos contra o terrorismo e em defesa da liberdade. Juntos, mas longe de toda a a gente, numa rua deserta e cercados de seguranças, porque a segurança deles termina onde começa a nossa liberdade. A fotografia não é só poderosa porque nos mostra Hollande do outro lado do espelho e a encenação por detrás das câmaras, mas é igualmente a demonstração sobrante do que eles querem dizer quando falam de liberdade de expressão: uma farsa. Afinal, a manifestação deles era como a sua liberdade, só para alguns.