Como sucede sob o sol ao orvalho das manhãs, à medida que se aproximam as eleições gregas, o SYRIZA vai-se derretendo em garantias de respeitabilidade, promessas de estabilidade e averbamentos de moderação política. Sob intensa pressão do poder económico e financeiro, o radicalíssimo diácono da esquerda helénica esforça-se agora em apaziguar os mercados que saqueiam o seu país: “nós nunca fomos comunistas” juram à imprensa estado-unidense; “só queremos salvaguardar a estabilidade da zona euro” imploram aos agiotas europeus; “somos a melhor garantia de estabilidade financeira” adiantam ao capitalismo.
Todos os artigos: Internacional
Andrajosos Tempos
José António Saraiva (JAS), com a boçalidade que caracteriza os seus textos decidiu inaugurar o novo ano, revelando, novamente, ao que vem, qual o seu papel e a sua visão da sociedade.
JAS no seu corriqueiro tom simplista, demonstra não só a profunda admiração pelo milionário(omitindo a forma como se construiu a fortuna e as suas consequências) como o seu desprezo pelos “pobres”.
Viva la Libertà!
Não é hábito por estas paragens repetir o que faço por aqui, mas talvez seja o momento em que esta arte nos deva entrar em casa mais vezes e voltemos ao hábito de ver cinema. Hábito que o encerramento de salas, o fim de cineclubes, os preços proibitivos das grandes distribuidoras e a era digital nos roubaram aos poucos, mas de forma que ainda se possa reverter.
E o que me traz, no primeiro dia do ano, à escrita sobre filmes? Viva la Libertà. Um filme de Roberto Andò, (estreado em Portugal e ainda nas salas de cinema apenas em Lisboa graças ao incansável e resiliente Stefano Savio, director da Festa do Cinema Italiano), que parodia a esquerda italiana e a esquerda europeia.
SYRIZA, porque tens os olhos tão grandes?
É como no basebol, à terceira falha o lançador é eliminado. Neste caso foi o governo grego de coligação – Nova Democracia, PASOK – que saiu de cena. As eleições estão marcadas já para o próximo dia 25 de Janeiro e desta vez quem parte na frente é o SYRIZA, partido que promete o fim da austeridade e que recusa cumprir o pagamento da dívida tal como ele foi imposto pela Troika e aceite pelo actual governo grego.
Um conto de natal
Uma vez, aterrei num país em que o natal era todos os dias. Ao contrário de Lisboa, não havia sem-abrigo debaixo dos enfeites. Nem por cima, nem em lado nenhum. Procurei-os por todas as partes e expliquei aos que por mim passavam que do outro lado do mar, onde vivo, os mendigos cumprem uma função espiritual de primeira ordem. São o oxigénio da caridade. Sem eles, não se podem encher páginas de jornais com louvores à singular generosidade dos ilustres que tendo dinheiro subtraem parte do sofrimento humano para saldar as suas dívidas de luxuria e ganância.
Das Primaveras do capital aos Outonos que nos querem impor
O frio nos países nórdicos é uma realidade inultrapassável e, ainda assim, os habitantes desses distantes povos andam vestidos em casa, no Inverno, como nós andamos vestidos na rua durante o Verão. As casas dos pobres dos países mediterrânicos são uma merda. Estão mal isoladas, são feitas de materiais baratos e não têm aquecimento central. Andamos em casa como se estivéssemos na rua e, no Sul da Europa, onde os termómetros raramente baixam dos zero graus, um gajo sente mais frio que na Escandinávia.
PS, CDS-PP e PSD: cúmplices da tortura da CIA
Foi hoje divulgado no Senado dos EUA um extenso relatório que dá conta do recurso sistemático à tortura pela CIA. A partir de hoje não restam margens para dúvidas: os 728 prisioneiros da CIA que oficialmente passaram por Portugal com a cumplicidade dos governos PS, CSD-PP e PSD foram selvaticamente torturados.
Passando os olhos pelo relatório ficamos a saber que os detidos eram “arrastados pelo corredor enquanto eram esbofeteados e esmurrados”, “alimentados e hidratados pelo recto sem qualquer necessidade médica”, submetidos a centenas de simulações de afogamento, “impedidos de dormir durante semanas”, “mantidos na escuridão absoluta agrilhoados a um canto e com música em alto volume”, “submetidos a banhos gelados”, obrigados a suportar “ameaças de violência física e sexual aos seus filhos e mulheres”, “obrigados a usar fraldas”, “torturados com insectos”, “forçados a aguentar durante horas posições desconfortáveis”, submetidos à tortura da estátua “durante mais de 40 horas”, entre muitos outros tipos de tortura psicológica e sexual.
O início do mandato de Juncker e a Ciência
Jean Claude Juncker, o novo Presidente da Comissão Europeia, não teve um início de mandato fácil: irrompeu o escândalo LuxLeaks e enfrentou uma moção de censura. Mas acabou por sair reforçado depois da moção e atreve-se a fazer algumas mudanças que são um mau prenúncio. Destaco algumas relativas ao investimento em Ciência.