Volta e meia somos brindados com doses cavalares da apologia do só-não-trabalha-quem-não-quer. Em geral chega-nos no pacote do empreendedorismo, desta chegou de assalto a um pseudodebate sobre a emigração portuguesa. Falo do Prós e Contra, mais conhecido como Prós e Prós, da passada segunda-feira. O tema era qualquer coisa como ficar ou partir, o que já de si fazia tender a discussão para pressupostos absurdos: um, a emigração como opção e não como condicionante; dois, criar falsos defensores de uma ou de outra situação; três, evitar discutir a emigração com seriedade. O resultado só podia ser o do apedrejamento moral dos desempregados que decidem ficar no país.
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Violência e tortura policial – quando os sinos tocam
Chamemos-lhe Duarte. Vive num bairro pobre de Lisboa. Duarte está desempregado há vários anos. Tem 20 anos e não tem qualquer subsídio ou protecção social. A mãe trabalha sete dias por semana, a limpar casas, de uma ponta à outra da cidade. Tem uma irmã pequena que adora. O pai, não me recordo o que faz.
A mãe dele conta-me que todas as semanas há rusgas no bairro. Muitas vezes atrasa-se porque a polícia entra nos prédios e não deixa sair de casa.
O Duarte cresceu a repetir aos pais que «a polícia e a justiça servem para nos proteger». Sexta à noite saiu com os amigos e foi até ao Bairro Alto. Beberam uns copos e um deles meteu-se com uma miúda.
Relevantes e irrelevantes
Quando o país já percebeu que a verdade-verdadinha sobre a “saída do resgate” é que não haverá saída alguma [enquanto não houver uma real mudança de política, coisa para a qual jamais contribuirão PS, PSD e CDS, os partidos do arco da bancarrota] os principais protagonistas da desgraça económica, social, política, cultural e ambiental que se abateu sobre o país parecem entretidos em lançar sobre os portugueses uma nuvem de poeira que desvia a atenção das pessoas daquilo que é essencial: por vontade de PS, PSD e CDS, com a benção do actual presidente da República, as caras poderão mudar mas o essencial da política é para manter.
“Europa”
As “eleições europeias” são desde sempre marcadas por um equívoco enorme, uma manipulação evidente e significativa que no entanto nunca vi referida por aí: as eleições não são “europeias”, são apenas e tão só para eleição dos deputados no Parlamento Europeu. Nem todos os países que integram a Europa são membros da “União Europeia”, nem todos os assuntos da “União” dizem respeito a todos os países do continente. A Europa não nasceu com a “União “Europeia” nem morrerá com esta. As eleições não têm portanto âmbito continental.
Encontrar forma
Quem faz aqui o Design? Quem é? Quem é o trabalhador que idealiza, cria, desenvolve, configura, concebe, elabora e especifica objectos e imagens para a produção industrial e em massa no nosso país? Quem é que considera aspectos estéticos, funcionais, económicos e sociais tanto no seu próprio processo de trabalho como nos produtos que concebe? Quem é que, alvo da ignorância generalizada e por cedência às condicionantes laborais aceita ser aquele que faz bonecos, que passa para o papel a ideia de outros, que maquilha, que faz omeletes sem ovos?
Coragem hoje, abraços amanhã
Feliz coincidência esta do aniversário do Partido Comunista Português ser tão próximo do Dia Internacional da Mulher (8 de Março) e no Dia Nacional da Igualdade Salarial. Os 93 anos de luta diária do PCP influenciaram de forma decisiva a luta pela emancipação das mulheres, e essa luta é, ainda hoje, um dos pilares da intervenção do PCP.
Até à maior das liberdades: a de não ser explorado
No Capítulo sobre Cooperação d’O Capital [1] Marx relembra as palavras de Giovanni Carli “ «A força de cada homem é mínima, mas a reunião das forças mínimas forma uma força total, maior ainda do que a soma das mesmas forças, ao ponto de as forças, por estarem reunidas, poderem diminuir o tempo e acrescentar o espaço da sua acção.» O proletariado português tem um partido há exactamente 93 anos e nesse Partido o trabalho colectivo, a reunião das forças, foram características indissociáveis da sua natureza, é certo, mas também da sua indestrutibilidade.
Que força é esta?
No dia 6 de Março de 1921 nascia o Partido Comunista Português. Ao contrário de outros partidos comunistas do ocidente, o PCP nasceu da vontade dos trabalhadores, da necessidade que sentiram de criar uma forma organizada de resistência e luta no rescaldo da I Grande Guerra, com Portugal assolado pela pobreza, fome e desemprego.
Então, 93 anos depois, tantos anos passados, que força é esta?