PS, PSD e CDS assinaram um pacto com o FMI, o Banco Central Europeu e a União Europeia. Nesse pacto, PS, PSD e CDS entregaram o que restava da soberania política e económica do país a instituições que são simultaneamente parte do cérebro e das mãos do sistema capitalista global. Nesse pacto, os partidos da tróica doméstica cederam à tróica ocupante a capacidade de interferir directamente e sem limitações no destino do país, na forma como este se organiza, nos direitos que consagra aos seus cidadãos, nos serviços que lhes presta. Ou seja, o pacto redefine a própria organização do estado. O Estado foi transfigurado pela força da prática, à margem de um projecto constitucional que subsiste e é o último reduto de uma democracia profundamente debilitada, praticamente limitada aos direitos políticos e, mesmo esses, vendo estreitado o seu livre exercício.
Os mártires de Odessa
Há muitos anos atrás, não pude evitar as lágrimas quando vi o filme italiano Novecento. Numa das cenas, que retrata os anos 20, vários idosos aprendem a ler e a escrever numa escola promovida pelo Partido Comunista Italiano. Somos arrebatados pela alegria de quem entregou toda a sua vida ao trabalho no campo e vive agora de brilho nos olhos a aprender o que a burguesia sempre lhe havia negado. Até que a escola é engolida por um mar de chamas quando os fascistas lhe pegam fogo. Na tragédia, morrem carbonizados vários camponeses que ali estudavam. É nas ruas da vila que segue o rio de lágrimas dos que caminham na marcha fúnebre de lenço vermelho. Os restos mortais envoltos em panos vermelhos jazem numa carroça aberta para que das janelas se possa ver a obra do fascismo.
Mais um tiro no pé
Diz-nos o Sol que o Partido Socialista está longe de procurar um confronto com a CDU na campanha eleitoral que se aproxima, apesar das criticas que os comunistas têm dirigido a esse partido, pondo os pontos nos ii e relembrando que também o PS assinou o Pacto de Agressão e que, por isso, está comprometido com as políticas que aqui nos trouxeram.
Contudo, pela voz de Álvaro Beleza e António José Seguro, vamos descobrindo que o adversário do PS não é a CDU mas sim o Governo, até porque o PS tem afinidades com os partidos da esquerda em áreas como a saúde, a educação ou o trabalho. Só uma votação em massa no PS pode promover uma mudança de governo e de políticas, acrescentam.
A hora é de muita dor e solidariedade
Ontem à noite, em Odessa, Ucrânia, foram massacradas 38 pessoas que se refugiavam da fúria nazi do Praviy Séktor e de outras ordas ao serviço do governo de Kiev. Estas pessoas, a maior parte delas de organizações de esquerda, como o Partido Comunista Ucrâniano ou o Borotba, foram cercadas no interior da Casa Sindical de Odessa e pouco depois o edifício foi incendiado, ficando estas pessoas a arder lá dentro.
O Donbass insurrecto
A situação no sudeste da Ucrânia parece deteriorar-se de forma dramática a cada hora que passa. Os acordos de Genebra são letra morta e tudo no terreno contraria a necessária pacificação da situação. Os Estados Unidos continuam a deitar acendalhas para a imensa fogueira que ajudaram a criar e as operações militares promovidas pela Junta de Kiev na zona da bacia de Donets podem bem ser o início de um conflito de escala e consequências imprevisíveis com culpado mediaticamente definido à partida: a Federação Russa.
Este dia nosso
Todos
que marchais pelas ruas
e deteis as máquinas e as fábricas
todos
desejosos de chegar à nossa festa
com as costas marcadas pelo trabalho,
saí a 1º Maio
o primeiro dos dias.
Recebê-lo-emos, camaradas,
com a voz entrecortada de canções.
Longos Corredores
Comecemos pelas boas notícias! Jorge Coelho aparenta boa saúde e ainda afecta o estilo que lhe é característico: algo espontâneo, um pouco inflamado, muito trauliteiro e olimpicamente bronco. É bom saber! Porque Jorge Coelho esteve tanto tempo longe das luzes da ribalta que começámos a nos perguntar se não lhe teria acontecido alguma coisa… O que nunca esperaria do desaparecido dirigente do PS que quatro vezes foi ministro, é que usasse a homenagem aos antigos presidentes Federação da Área Urbana de Lisboa do PS para cometer um atentado contra a História e a inteligência de todos nós. Discursando sobre o 25 de Abril, Jorge Coelho declarou, perante a incendiada ovação de José Seguro, Ferro Rodrigues, João Soares, João Proença, Edite Estrela e Joaquim Raposo, que (pasmem-se!) «Foi o Partido Socialista que liderou a luta pela liberdade antes do 25 de Abril». Sim, ele disse mesmo isto. E mais! Foi o PS que, depois de nos dar o 25 de Abril «evitou que Portugal caísse noutro regime totalitário», lembrando ainda, jocoso, uma entrevista de Álvaro Cunhal em que este dizia que não queria uma «democracia burguesa». «Não há democracias burguesas!» concluiu Coelho.
Abril é muito mais que liberdade
Todos os anos, em Abril, aqueles que com as suas mãos escrevem e assinam despachos, Decretos-Lei, Projectos-lei, ordens de serviço, portarias, artigos de opinião e memorandos repletos de insultos aos trabalhadores, aos reformados e pensionistas, aos estudantes e, em geral, ao povo português, enchem a boca com a palavra liberdade como se fossem pipocas a estalar e lá fazem a festa da mistificação, da deturpação e das omissões sobre o fascismo, sobre a revolução e sobre a contra-revolução. Os organizadores da gala deste ano superaram-se, só lhes faltou mesmo converter o fascismo em sinónimo de tempo em que a televisão era a preto e branco. A acreditar nesta gente, uma das grandes conquistas do 25 de Abril foi o consumo de coca-cola e até dá ideia que na origem golpe militar está a vontade de os namorados andarem livremente de mão dada. Liberdade sexual q.b., liberdade de expressão q.b. e sufrágio universal: é isto que dizem que celebramos anualmente.