Saramago dizia que a estátua é a superfície da pedra. Tinha razão, a estátua é só mesmo isso: pedra a que alguém descascou gomos de revestimento. Porque os nossos olhos são feitos de carne, é o mundo exterior que melhor enxergam e, às vezes, a ilusão de que se revestem as estátuas fá-los chorar. Hoje, os meus olhos foram embargados pelas brutais imagens de uma turba no centro de Kiev a destruir, a golpes de martelo, a estátua de Lenine. Mas a fúria das multidões como as estátuas que elas decapitam, são apenas um revestimento político externo de fenómenos políticos que só se podem assimilar verdadeiramente através identidade dos que desferem as marteladas. Ler mais
Sobre a pobreza em tempos de caridadezinha
Li no mural do facebook de alguém que entre o Orçamento do Estado e as medidas de ataque aos trabalhadores da Administração Pública já o «Guião para a reforma do Estado» vai no adro. E que verdade tão verdadeira.
Entre promessas de alteração da Constituição e a sua alteração diária via medidas orçamentais e leis ordinárias, muitos dos direitos são já subvertidos e a CRP perigada e reconfigurada. Hoje já um em cada quatro portugueses está em situação de carência alimentar. Ler mais
Memórias de infância: Angola, Cuba, Mandela
Lembro-me de quando cheguei a Portugal, em finais de 1982, a poucos dias de completar os meus oito anos, perguntar a toda a gente com quem é que estávamos em guerra, quem é que os portugueses combatiam. Estranhava a ideia de não viver mais num ambiente de conflito armado. Para mim o estado normal de existência era o da guerra. A guerra é uma dor continuada a que nos habituamos sem nunca deixar de doer, é como um frio que se entranha nos ossos e com que somos obrigados a conviver, e agora é para mim uma memória longínqua da qual sobressaem os episódios mais marcantes.
Não sei se o meu ódio de hoje a explosões tem alguma coisa a ver com memórias conscientes e acontecimentos esquecidos. O facto é que de cada vez que vejo e oiço notícias sobre bombardeamentos imagino-me como uma criança, num cenário de guerra, perdida e assustada com o ruído de explosões que ocupam todo o espaço, que ensurdecem, nos paralisam e nos impedem de gritar. Ler mais
Memória
Ainda que me cause a mais intensa repulsa, não perderei tempo lembrando caso a caso a suprema hipocrisia das declarações de circunstância daqueles que dizem hoje o contrário do que fizeram ontem a propósito de Nelson Mandela e da libertação da África do Sul do jogo fascista do Apartheid. É informação que, pelo que percebo, flui pelas redes sociais nestas horas que passam. Ler mais
A luta pela Natureza é a luta pelo Socialismo – 2007
Não passa um dia que não vejamos umas poucas centenas de jovens ecologistas preocupados. Ultimamente até mesmo as empresas, as grandes companhias, corporações e grupos económicos dinamizam campanhas supostamente ecologistas. Ler mais
Vamos todos a Tshwane
Mas o Renato Teixeira não vai, que está muito chateado.
Aprendi com o PCP e não com o Invictus ou o Wikiquote, que Nelson Mandela se envolveu desde jovem na luta contra o regime de apartheid que vigorava na África do Sul, tendo aderido em 1942 ao Congresso Nacional Africano e tendo sido fundador, em 1944, com Walter Sisulu e Oliver Tambo, da Liga Juvenil do ANC. Ler mais
Até sempre, Madiba!

Eleições municipais na Venezuela
O povo venezuelano vai a votos no próximo domingo. Quatro anos depois, dezenas de milhares de candidatos dão a cara pelo projecto bolivariano para as eleições municipais. Como é hábito, a direita apostou na mentira e na destabilização. Copiando a metodologia do golpismo chileno, sucederam-se as sabotagens na distribuição eléctrica e na rede de transportes. O açambarcamento de produtos e a especulação nos preços obrigou Nicolás Maduro a impor a regulação de preços no mercado. A importância do acto eleitoral é maior do que se pensa. Ler mais