Recentemente tive a oportunidade de assistir ao drama lírico Macbeth, de Giuseppe Verdi, no Teatro Nacional de São Carlos. São momentos de rara beleza e encanto proporcionados pela junção tão elegante que a arte da música e a arte performativa atingem enquanto nos transmitem uma história. O problema de tal afirmação prende-se mesmo pela raridade dos mesmo. Penso que mesmo para os menos melómanos, é difícil ficar indiferente a tal espectáculo e, no entanto, contam-se pelos dedos as pessoas que conheço que já assistiram a um.
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Liberdade selectiva
O Filipe Guerra já alertou aqui para o silenciamento quase total de um Encontro Nacional do PCP, em Loures, que juntou mais de 2.000 pessoas. Não é novidade, é certo, mas surge num momento curioso da televisão pública, que tem neste momento dois enviados especiais: um na Ucrânia, onde são entrevistados neo-nazis como lutadores pela liberdade, e outro em Cuba, onde, ontem mesmo, se falava, do controlo dos órgãos de informação pelo Estado.
A dívida de Passos Coelho à Segurança Social
“- Oh pá, o R. tem dívidas à Segurança Social!– É artista?
– Todos os meus amigos artistas têm dívidas à Segurança Social”.
Todos os trabalhadores independentes foram notificados… menos Passos Coelho? E por que raio não fez a Segurança Social o que fez com todos os outros: a execução da dívida?
Este é um diálogo recorrente desde 2008, pelo menos. Não há trabalhador independente que não tenha sido notificado de dívidas à Segurança Social. Muitos ficaram com a vida penhorada. Adiante já me debruçarei sobre isto. Por agora, houve um que aparentemente não terá sido notificado: Passos Coelho.
Vassalagens
Anda por aí um enorme reboliço com origem em questões internas da vida do PS. O acessório ganha terreno ao essencial, coisa que não espanta num país onde o pensar vai sendo substituído pelo reagir (não é só crítica: é crítica e autocrítica, que não me excluo deste dedo que aponto), muito em proveito de um status quo que, passando por entre os pingos da chuva, vai levando a água ao seu moinho, ou seja, os euros às contas bancárias nos off-shores e afins.
E se for: «proibida a entrada a pretos»?
Agora que já tenho a vossa atenção, gostaria de dizer duas ou três coisas sobre o assunto. A primeira vez que ouvi falar de uma barbearia que só atendia homens e cães pensei «ok, tá fixe». Mas a chave estava aqui: atendia.
Ao ler textos de gente despreocupada que escreve sobre moda e de repente usa o termo neomachista porque ficou de fora de um símbolo da cultura pop e não pode ir cortar o cabelo não sei bem onde acabei por não perceber exactamente do que se tratava.
A «boa imagem externa» que é ser-se um servil rastejante
Há cem anos, a subserviência a uma potência externa (no caso, a Inglaterra) atirou-nos para a frente de combate da maior das guerras até então travadas no tabuleiro europeu e mundial. Um século decorrido, o mesmo sentimento de bajulação e servilismo de quem nos governa face a uma outra grande potência externa (neste caso, a Alemanha), atira-nos em sacrifício, rotos e famintos, para as trincheiras da batalha pela defesa da ideologia da austeridade. Num caso como noutro partimos impreparados, com uma mão à frente outra atrás, sem vontade de exigir o que quer que fosse ou o que quer que seja, mas em ambos os contextos com a mesma predisposição e o mesmo objectivo: ser um cão-de-fila exemplar, elogiado “pela dona” enquanto serventuário fiel, bem domesticado e obediente.
As 50 sombras de Guedes
Qual Esdras pedindo perdão a Deus, Jean-Claude Juncker veio expiar publicamente os seus pecados contra os povos vilipendiados pela UE. Para o Presidente da Comissão Europeia e ex-presidente do Eurogrupo, a troika “pecou contra a dignidade” de portugueses, gregos e também irlandeses.
“A História Do Papagaio Caio, Da D. Vicência Sampaio E Da Amiga A Dona Carlota Bexiga”
A política de direita não precisava de mais um jornal ao seu serviço no panorama editorial nacional. Certo sector da direita sim, sentia-se sub-representado. O Observador surge nesse contexto, multiplicando por muitos um espaço de promoção de uma mundivisão ultra-reaccionária que tinha em meia-dúzia de articulistas dispersos, cruzados sem crédito num panorama geral de publicações mais contidas e encostadas a chavões meio-tinteiros, os seus mais diligentes representantes. Com o surgimento d’O Observador passaram a existir, em menos de nada, cinco ou seis novos Henriques Raposo, nove ou dez Joões César das Neves, três ou quatro Pulidos Valentes.