Todos os artigos: Nacional

«Está tudo bem com o BES»

Tal como Pedro Passos Coelho, Cavaco Silva e Carlos Costa nos tinham diligentemente “informado” há poucos dias, parece que está mesmo “tudo bem” com o BES. Finalmente, alguma estabilidade. Finalmente, os mercados, livres que estão da agitação e perigo de “eleições” e “crise política”, podem estar tranquilos e banhar-se na solidez, correcção, licitude e transparência das contas de um dos maiores bancos nacionais.

Não há ‘mesmo’ razões para alarme. Os problemas são ‘mesmo’ no GES que, aliás, não tem nada a ver com o BES e nada do que se passou no BES foi senão um mero ‘lapso’ sem grande importância. Ao estilo cherne em declarações pós-almoço, “que se calem” aqueles que dizem que isto pode ser um novo BPN. Nada disso. Até porque no BPN, apesar do esforço dos seus valorosos gestores, nunca houve competência suficiente para chegar à “pipa de massa” de mais de 3500 milhões de prejuízo num único semestre. Afinal de contas, por comparação com os gestores do BES, os do BPN não passam de uns tristes amadores.

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“O futuro é revolucionário ou reacionário? Terra, o desequilibrismo disso…!” – por Joana Manuel

Intervenção no debate “Portugal. E o futuro?”, comissariado por Cristina Peres e Pedro Santos Guerreiro, a 26 de Abril de 2014 no São Luiz Teatro Municipal

Em Itália o dia 25 de Abril é um feriado estranhamente próximo e afastado do nosso. Próximo porque é também o “dia da libertação” dos fascismos que marcaram o século XX. Distante por tantas outras razões. Não corresponde a um dia, mas a uma convenção, em que se celebra especificamente a libertação de Turim e de Milão — até 1 de Maio libertou-se a restante região norte, até Veneza. A libertação de um fascismo de 20 anos e o fim de uma guerra de cinco, uma guerra onde se soube que se participou — do lado errado. Clara e assumidamente o início de um processo, até ao referendo que decidiu que a Itália seria, não uma monarquia, mas uma República Constitucional. Ainda hoje se repete em Itália, em cartazes, em pancartas, em graffittis: la liberazione è un esercizio quotidiano. A libertação — ou a liberdade — é um exercício quotidiano.

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Que festa é esta, pá?*

Olha, desculpa lá que me intrometa… mas não pude deixar de ouvir o que estavas a dizer.

É a tua primeira Festa? Pois, então é compreensível. Sabes que apreciar esta festa, tem muito que se lhe diga, a sua arte, o seu mistério. Mas olha, isto não é nada como o Super Bock Super Rock. Esta é a festa do Partido Comunista e do seu jornal, que dá o nome à festa: o periódico do mundo inteiro que mais tempo sobreviveu na clandestinidade. É qualquer coisa, hein?

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Os animais (não humanos) não são vingativos.

Não é minha intenção entrar na corrida para ver quem defende mais os animais. Até porque essa corrida está ganha à partida por aqueles que defendem a superação do capitalismo. A superação do capitalismo, o fim do modo de produção baseado na maximização do lucro, trará também o fim da economia orientada para o lucro fácil, como tal, trará o fim do tráfico de animais, o fim da sobreprodução animal para alimentação, o fim da devastação florestal e de outros habitats de milhões de animais. Talvez a superação do capitalismo possa também pôr fim à utilização de animais para fazer testes de cosméticos e outros produtos que nos “embelezam” à custa do sofrimento de milhões de seres vivos. Eventualmente, a superação do capitalismo porá um fim à chacina de animais para produzir roupagens de luxo. Provavelmente, um dia mais tarde, o fim de uma economia orientada exclusivamente para o lucro, acabará com o apuramento genético de animais doentes e deficientes para fazer bibelots ou peluches que ficam bem na ponta de uma trela. A superação do Capitalismo possibilitará uma relação com a Natureza e os outros animais completamente diferente daquela que o Capitalismo nos impõe.

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Se Seguro quer o PSD, Costa o PSD quer

Excelente notícia para Cavaco Silva. Excelente notícia para os banqueiros deste país. Excelente notícia para os Salgados, Ulrichs, Melos e companhia limitada. António Costa, por certo sensibilizado com os sucessivos apelos do presidente para uma “união sagrada” em torno de uma via única de governação, mostrou-se inequivocamente disponível para se coligar com o PSD. Para que esse “sonho” de Cavaco se cumpra, Costa só impõe uma única condição: que seja um PSD… sem Passos Coelho. Ou seja, tudo o resto pode manter-se. A forma de governação, a política, a ideologia, a submissão externa, a obediência ao sector financeiro, os lobby’s, a desgraça social do país, enfim, tudo isso já é matéria perfeitamente enquadrável nas elevadíssimas exigências do PS de Costa. Alguma novidade neste campo? Absolutamente nenhuma. Nesta altura, diga-se lá o que se quiser, quanto ao PS já só se ilude quem se deixa iludir.

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Seu grandessíssimo animal!

Não havendo outros pretextos, há sempre textos que vêm a pretexto de uma coisa qualquer para dizer mal do PCP. E como depois de um texto vêm muitos outros textos, eu, que sou uma insuspeita defensora dos animais (tenho crachás e autocolantes que o atestam), vou então escrever um texto sobre este texto e outros pretextos.

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As vantagens competitivas da desertificação

Foi ontem no “frente a frente” da SICn: o mesmo cavalheiro que há tempos atrás referia, perante a incredibilidade dos portugueses, que o país está melhor (apesar do povo se encontrar em pior situação), deu ontem novo contributo para o triste e bizarro anedotário político dos partidos do arco da Banca ao afirmar que existem oportunidades competitivas que resultam do encerramento de serviços públicos no interior do país.

Sem se rir da própria tirada foi acrescentando que é demagogia afirmar-se que os encerramentos contribuem para a desertificação do interior, argumentando com a relação inversa entre o histórico de criação de infra-estruturas nas zonas onde agora encerram e a constante diminuição de população nos distritos portugueses mais afectados pelo despovoamento e pela depressão social e económica.

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