Quem cresceu nos dormitórios suburbanos de Lisboa pode separar as memórias da sua cidade na incursão nos prédios que estão agora onde antes era só campo. Lentamente, como uma enxaqueca histórica, a especulação imobiliária apoderou-se das cidades, transformou-se nas cidades. Acompanhando a retirada das funções sociais do Estado, o poder autárquico timonado pelo PS e PSD reduziu-se à insignificância votada, não pelos eleitores, mas pelos sucessivos governos: a sina de estruturas democraticamente opacas que seguem mecanicamente procedimentos formais, que servem para cobrar taxas e, no compasso das eleições, tapar uns buracos.
E se Portugal fosse governado como Loures?
