Como se explica algo que não existe em mais lado nenhum? Como se transmitem todos os sentimentos que se vivem em três dias, naquele que é o lugar com mais fraternidade, amor e solidariedade por metro quadrado deste nosso país?
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João Lemos Esteves, és uma besta
Tenho dez minutos para, na pausa de almoço, começar e acabar de escrever esta nota. As linhas esticam-se e apagam-se numa percussão violenta. Estou irritado. Bem sei que não devia estar a perder o meu tempo de almoço com este gajo: é inútil criticá-lo, eu tenho mesmo mais que escrever e bestas destas há muitas. Mas nunca nada assim.
Fui professor durante anos e já vi textos muito mal escritos. Trago às costas ainda mais anos de batalhas políticas e conheço de trás para a frente os argumentos e os maneirismos da direita. Não me impressiono facilmente. Mas este texto é outra coisa.
A Festa, ainda mais Avante!
A Festa do Avante! de 2014 ficará marcada pelos sons, pelas imagens, pelos debates, pelos cheiros da comida, pelos sabores das bebidas e pelas memórias individuais que cada pessoa levou consigo. Mas 2014 entrará para a memória colectiva pelo anúncio de que a Festa vai crescer. O PCP, com a ajuda dos seus militantes e dos amigos que não imaginam o primeiro fim de semana de Setembro noutro sítio que não a Atalaia, vai comprar a Quinta do Cabo da Marinha.
Não há paz sem justiça
É algo que ferve por dentro até que se nos escapa pelas cordas vocais e somos obrigados a expressar a raiva em que nos mergulham. Eu sei de algo que escapou a todos os telepontos que foram lidos nos telejornais. Enquanto dezenas de ricos mergulhavam água gelada na cabeça, ele estava ali a travar a sua cruzada contra a vida. De pé, na Ponte Luís I, esperou que o peso de tudo o derrubasse para o vazio que o separava do rio.
Da coerência de Seguro
Tendo tido conhecimento de que António José Seguro tinha apresentado uma “moção política sobre as grandes opções do Governo”, fiz questão de abrir o prometedor documento e de o guardar no computador para lê-lo mais tarde. Afinal de contas, o título pré-anunciava uma coisa “em grande”, de leitura demorada, fazendo supor uma extensa e bem trabalhada moção política, com bons e sólidos fundamentos de medidas e estratégias para quatro anos de governação. Lá abri então o douto documento. Constato, desde logo, que são sete páginas. Constato ainda que uma das quais é a capa. E constato, por fim, que a última página tem oito linhas.
A Bolsa ou a Vida?
Os bolseiros encontram-se blindados por um pedaço de lei, magnifico pela sua originalidade, chamado de Estatuto do Bolseiro de Investigação (vulgarmente EBI!). Em vez de uma relação jurídica laboral esta lei regula pela subsidiação o trabalho que envolve uma boa parte dos recursos melhor qualificados, a nível académico, do país, da forma mais precária possível. Estes trabalhadores, não reconhecidos como tal, responsáveis por grande parte do que é produzido pelo Sistema Científico e Tecnológico Nacional (SCTN) não têm assegurados os mais elementares direitos laborais incluindo a integração no regime geral da Segurança Social.
Raios de sol em tempo e espaço de trevas
O texto que agora se transcreve foi a alocução realizada por Mário Sacramento junto ao tumulo de “Licas” Seiça Neves, falecido com apenas 35 anos de idade.
Gostaria de salientar três aspectos. O primeiro, este texto foi lido e proferido em Portugal no ano de 1958(tendo sido publicado pelo República em 15 de Outubro), o que infelizmente importava um conjunto de cuidados políticos, e a natural utilização de diversos recursos estilísticos, sob pena de graves sanções. Segundo aspecto, a imensa qualidade literária que Mário Sacramento apresentava nos seus textos. Terceiro e último aspecto, com este texto faz-se uma pequena homenagem a Licas e a todos os que não chegarem fisicamente a Abril, e que, anonimamente, de Norte a Sul do país, sofreram as agruras, censuras, repressões e discriminações, de diversa índole, social, moral, política, profissional, entre outras, de que o fascismo foi tão bem capaz.
Jogos de casino viciados
O sistema bancário e financeiro em Portugal é um jogo de casino viciado, onde a “casa”, ou seja quem deveria regular esse sistema, incluindo o governo, o Banco de Portugal (BdP) e a CMVM (Comissão do Mercado de Valores Mobiliários), fecha os olhos, assobia para o lado, e faz pouco, tarde e mal.