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17 de Maio: o adeus à Troika

Acordei estranhamente feliz. No telhado chilreiam pardalitos, pintassilgos e uma livre andorinha faz o seu ninho no topo da chaminé do meu prédio. Saio da cama num pulo e dirijo-me saltitante até às janelas da casa, abro-as todas e deixo entrar a brisa fresca que passeia pelas ruas. A vizinhança está diferente, ouvem-se risos e suspiros de alívio em todas as casas. O sol brilha melhor e a relva está mais verde, algo mudou.

Rapidamente entro num banho quente mas refrescante, um banho que me coloca em paralelo com este dia novo e belo, um banho que me limpa da sujidade do tempo que já passou e que não queremos que volte. Visto cores garridas e vivas, nas colunas o Gene Krupa está ainda mais ritmado e certo dos seus tempos, cada batida na tarola faz-me mover uma nova parte do corpo, faz-me até mover partes do corpo que desconhecia. Até o barulho perturbador do espremedor eléctrico de laranjas me oferece hoje música para os ouvidos.

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“CDU, a voz que me representa a mim e não aos grandes grupos económicos que me declararam guerra.” – por Joana Manuel

Sou candidata independente nas listas da CDU. E começo por sublinhar que sou candidata independente porque isso não é um pormenor. Aceitei o convite para integrar a lista, porque preciso, como cidadã e eleitora, de reforçar a voz que me representa. E porque me fez sentido dar um contributo mais, para além do voto.E a CDU é a voz que me representa por diversas razões. É relativamente fácil olhar para o nosso passado recente e perceber qual foi a força política que sempre fez o contrabalanço de uma onda de contágio quase épico sobre o estarmos “na Europa”.

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A que sabe o pão que comes?

Quando um projecto musical denominado “Zeca Sempre” decidiu censurar a merda a que sabia o pão que o Zeca cantou confesso que fiquei pasmado com a ousadia. Não é comum que sejamos ousados a este ponto; homenagear alguém fazendo precisamente aquilo contra o que o alvo do tributo sempre se bateu.

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Capitalismo para totós VII – Paz Social

Paz social é o termo utilizado pela direita para mascarar o conflito permanente entre os interesses de cada classe. Convém sempre à classe dominante que a classe dominada não decifre e não compreenda que sofre domínio. Na prática, também a um ladrão é muito conveniente que a vítima se julgue a ser amparada em vez de roubada.

A “paz social” não comporta qualquer dimensão de “paz”, pois é apenas o termo utilizado para encobrir uma guerra sem trincheiras, sem fronteiras, uma guerra enraizada e sulcada na matriz genética da organização social capitalista. Uma guerra em que o agressor sabe que agride, mas que atordoa de tal forma o agredido que este se pensa protegido pelo seu próprio inimigo.

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Filhos da puta

Não sei bem por onde começar, confesso. O cancro é uma doença filha da puta; diz-me muito, não por mim, felizmente, mas por outros. Sim, aquela mania de tomar as dores dos outros como se fossem minhas. Ou nossas. Poucos ou nenhuns estarão entre os sortudos que não têm um amigo ou familiar que teve ou tem cancro.

Eu tive, bem de perto, e guardo cá dentro uma das imagens que há-de acompanhar-me para sempre. O Público de hoje conta-nos uma história daquelas que devia fazer-nos corar de vergonha.

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O Tozé quer um cheque em branco…

Em recente entrevista ao Expresso o actual secretário-geral do PS, e auto-proclamado candidato a primeiro ministro de Portugal, referiu que neste momento não pode “garantir absolutamente nada” porque não sabe “qual o estado do país que eu vou receber”.

Duas breves notas, começando pelo fim: António José Seguro dá como adquirido que receberá o país (ou seja, que chegará ao cargo que ambiciona), declaração cheia de bazófia que é capaz de lhe sair pela culatra; o secretário-geral do PS é capaz de não saber e por isso aqui fica a informação, caso o próprio ou alguém das suas relações tropece neste texto perdido na imensidão da rede: para “receber” o país é preciso ser-se eleito; as eleições legislativas servem para eleger a próxima Assembleia da República; e mesmo que o PS seja a força partidária mais votada não é líquido que venha a constituir governo.

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Quem é Joseph Hamann?

O João Labrincha, do velho 5dias, publicou um excerto de uma entrevista a Karl Marx em que o revolucionário alemão diz isto. Aparentemente, nem o João nem o Karl gostam de sindicatos controlados por partidos. Por mim tudo bem. Até podia responder com outra citação, esta do Álvaro Cunhal, em que o revolucionário português afirma que:

“A natureza de classe, a autonomia e a democracia interna são os factores que melhor podem assegurar a unidade do movimento sindical unitário”. e que “segundo alguns, o mal dos males do movimento sindical português é o que chamam “a partidarização dos sindicatos”. (…) Para sermos claros (…) a acusação de “partidarização dos sindicatos e “hegemonização partidária” referes-e ao PCP e à grande influência dos comunistas no movimento sindical unitário português. (…) A Influência dos comunistas no movimento sindical não resulta de qualquer imposição ou ingerência partidária. Ler mais

Coisa estranha!

É estranho, confesso. Alguns dirão que estou a ficar maluquinho, que perdi definitivamente o juizo. Terão a sua razão. A verdade é que hoje deparei-me com uma declaração do Passos Coelho com a qual concordo a 100%. E é realmente raro eu concordar com esse tipo de gente…

Diz o Passos que este é “o momento mais difícil por que passamos desde o 25 de Abril de 1974“. Porra, é mesmo verdade.

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