Dívida pública é um conceito que tem servido, não apenas recentemente, para justificar o conjunto de políticas de intensificação da exploração do trabalho, para assegurar a estratégia capitalista de divisão internacional do trabalho, e alimentar a especulação e agiotagem através das quais as grandes instituições financeiras asseguram a acumulação crescente e a apropriação galopante da riqueza produzida. A pretexto da ideia de “dívida pública”, impõe-se uma política de “austeridade”, criando um mecanismo simples de alusão à honra pública.
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Manifesto dos 74 -1
Parece que o manifesto dos 74 – o outro, não este – perdeu um membro e retirou o simbolismo ao nome da coisa, remetendo agora para os idos de 73. Perdeu-se o simbolismo e perdeu-se o presidente da CIP, um dos patrões dos patrões, mas acredito que não será difícil arranjar pessoa-notável que o substitua, tendo em conta a abrangência ideológica dos assinantes. Sim, qualquer um pode assinar, bastando para isso que seja pessoa-notável.
Capitalismo para totós III – Austeridade
Austeridade – o termo encontrado pelos teóricos e governantes do estado capitalista para definir uma política de supressão do Estado e dos serviços públicos. “Austeridade” é um termo com uma carga de moralidade, aliás, “austeridade” significa tanto “severidade”, como “rigor”. A questão aqui não é tanto sobre o significado da palavra, mas sobre o acerto do termo. A utilização do termo aqui é propositada para confundir a realidade com o conceito. Ou seja, não é o significado de “austeridade” que é distorcido, mas é a aplicação desse conceito que tenta disfarçar a situação real com que estamos confrontados.
Comunistas? Mudinhos é que eles são bons!
Em 2011 um conjunto de pessoas dos mais variados sectores sociais e profissionais, lançou o “Apelo em defesa de um Portugal soberano e desenvolvido”. Desde essa altura tem vindo a realizar várias iniciativas políticas com diferentes moldes e temas mas sempre com dois denominadores comuns: a luta contra as políticas de acentuamento da exploração e a total ausência da comunicação social.
Capitalismo para totós II – Colaborador
Colaboradores – termo que designa o conjunto das assalariados de uma empresa, independentemente do regime contratual. No essencial, mascara duas dimensões fundamentais das relações sociais capitalistas: a do trabalho e a da exploração.
O colaborador colabora, não trabalha.
O colaborador colabora, não é explorado.
Do parasitismo ao voluntariado
Que se confundam termos e conceitos no contexto de disputa ideológica actual é relativamente normal e é, tendo isso em conta, que assumo já que alguns conceitos são de difícil definição, quer jurídica, quer política. Alguns conceitos são absurdos num determinado contexto económico, como o capitalismo, tal como outros são absurdos num contexto diferente, como o socialismo. Por exemplo, “voluntariado” é um conceito que só distorcido e manipulado entra no léxico do sistema capitalista. Ao mesmo tempo, “exploração do trabalho alheio”, sendo a base do capitalismo é um conceito absurdo num sistema socialista.
Capitalismo para totós I – Competitividade
Competitividade – é a disputa entre trabalhadores para ver quem vende mais barato a sua força de trabalho, fazendo o jeito ao patronato. O termo em si comporta uma dimensão anti-progresso porque coloca os povos, os trabalhadores, em posições antagónicas entre si, iludindo que só a cooperação e não a competição pode gerar elevação do bem-estar de todos.
Política e Geometria 1
Em castelhano diz-se no plural, esquerdas e direitas. É difícil perceber porquê. Imaginam de forma linear um espectro seccionado? Ou será uma ideia bidimensional? Nesse caso seriam indispensáveis duas coordenadas para situar alguém politicamente. Em inglês falam em alas, o que indicia a necessidade de um corpo principal. Em português e em francês basta o singular, esquerda e direita. Bem sei que se apontam origens para isto, diversas até. Os discípulos de Hegel que se juntavam à esquerda e à direita do filósofo, consoante se tratassem de materialistas ou idealistas. Uma outra explicação refere os locais onde se sentavam, na Assembleia Nacional, os republicanos e os monárquicos em vésperas da revolução francesa.