Todos os artigos: Nacional

Capitalismo para totós I – Competitividade

Competitividade – é a disputa entre trabalhadores para ver quem vende mais barato a sua força de trabalho, fazendo o jeito ao patronato. O termo em si comporta uma dimensão anti-progresso porque coloca os povos, os trabalhadores, em posições antagónicas entre si, iludindo que só a cooperação e não a competição pode gerar elevação do bem-estar de todos.

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Política e Geometria 1

Em castelhano diz-se no plural, esquerdas e direitas. É difícil perceber porquê. Imaginam de forma linear um espectro seccionado? Ou será uma ideia bidimensional? Nesse caso seriam indispensáveis duas coordenadas para situar alguém politicamente. Em inglês falam em alas, o que indicia a necessidade de um corpo principal. Em português e em francês basta o singular, esquerda e direita. Bem sei que se apontam origens para isto, diversas até. Os discípulos de Hegel que se juntavam à esquerda e à direita do filósofo, consoante se tratassem de materialistas ou idealistas. Uma outra explicação refere os locais onde se sentavam, na Assembleia Nacional, os republicanos e os monárquicos em vésperas da revolução francesa.

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Com a semente que Abril deixou

Para muitos, deixar para trás o subúrbio e visitar Lisboa é um luxo. Se partirmos da Amadora e tivermos de usar outro transporte como o metro regressamos a casa com menos 6,90 euros. São os cálculos que faço quando o comboio atravessa a Reboleira. Pela janela, vejo uma cidade destroçada. Arrancaram-lhe a identidade e a quem lá mora pouco mais deixaram do que a miséria de viver agrilhoado sem poder sair do bairro. Ficou-lhes o sabor amargo de terem um dia achado que isto da CEE ia ser como os Jogos Sem Fronteiras. Um divertido intercâmbio sem obstáculos que nos levaria a ser felizes por estarmos mais próximos uns dos outros. Eles, lá na Europa, sabiam das nossas privações.

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Exclama Abril!

Só hoje vi o cartaz oficial da Associação 25 de Abril para a comemoração dos 40 anos da revolução. O vermelho desbotado, a fugir para o rosa, a interrogação de 40 anos de liberdade e democracia.

A modesta opinião de um ex-aluno de artes – no décimo ano, com resultados desastrosos, é certo – é que a ambiguidade não favorece nem Abril, nem os 40 anos, nem a A25A. Este cartaz é uma merda no contexto actual e histórico. Só há dois lados numa barricada.

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Do sonho à ilusão, do projecto à estagnação

O anúncio de um punhado de notáveis que assinou um documento com o nome claramente inspirado no nosso belogue colectivo, principalmente quando é uma espécie de versão desvitaminada da reivindicação do PCP que se converteu em reclamação de massas sobre a renegociação da dívida, suscitou-me alguns pensamentos. Principalmente porque há um contraste fundo entre o que dizem os comunistas e o que dizem os subscritores do dito manifesto das 70 personalidades (como veio a ser referido quase elevado a programa político) e porque esse contraste mereceu reflexo na dimensão mediática de cada fenómeno.

Se, por um lado, a renegociação da dívida dos comunistas é uma espécie de projecto inaplicável, um delírio esquerdista e radicalista, já a renegociação da dívida nos termos propostos pelos subscritores do dito texto é algo que, nas palavras dos partidos que suportam o Governo, tem vindo a ser feito com naturalidade ao longo das avaliações da troica.

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“Quem é que gosta de pagar impostos?”

Ontem tomou posse no Ministério das Finanças a Comissão para a Reforma do IRS, e o seu presidente, Rui Duarte Morais, perguntava aos jornalistas se algum português gostava de pagar impostos. Segundo ele ninguém gosta e, ironicamente, dizia que sobre isso até devíamos ter um consenso nacional.

Pois bem, temo desapontá-lo, caro Rui, mas eu gosto de pagar impostos, sempre com o critério de que os meus impostos sirvam para pagar despesas inevitáveis do Estado, despesas que me garantam todas as necessidades básicas quotidianas.

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Aquilo que eu não me lembro

Tiago Bettencourt surgiu recentemente com uma bonita musiquinha, de seu nome “Aquilo que eu não fiz”, onde vai afirmando que nada tem a ver com aquilo que estamos a viver – desemprego, miséria, cortes, roubos, perda de direitos, exploração. Pegando nas suas palavras, está contra as jogatanas que se vão fazendo no país. Concretamente, o cantor afirma no seu facebook que escreveu a música ” porque um dia acordei e percebi que já há uns tempos que me sentia a sofrer as consequências de uma jogatana qualquer com a qual eu não tive nada a ver”.

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