Liberdade selectiva

O Filipe Guerra já alertou aqui para o silenciamento quase total de um Encontro Nacional do PCP, em Loures, que juntou mais de 2.000 pessoas. Não é novidade, é certo, mas surge num momento curioso da televisão pública, que tem neste momento dois enviados especiais: um na Ucrânia, onde são entrevistados neo-nazis como lutadores pela liberdade, e outro em Cuba, onde, ontem mesmo, se falava, do controlo dos órgãos de informação pelo Estado.

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A dívida de Passos Coelho à Segurança Social

“- Oh pá, o R. tem dívidas à Segurança Social!– É artista?
– Todos os meus amigos artistas têm dívidas à Segurança Social”.

 Todos os trabalhadores independentes foram notificados… menos Passos Coelho? E por que raio não fez a Segurança Social o que fez com todos os outros: a execução da dívida?

Este é um diálogo recorrente desde 2008, pelo menos. Não há trabalhador independente que não tenha sido notificado de dívidas à Segurança Social. Muitos ficaram com a vida penhorada. Adiante já me debruçarei sobre isto. Por agora, houve um que aparentemente não terá sido notificado: Passos Coelho.

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Serei preso por “apologia do terrorismo”?

Não sei se vou ser preso por escrever isto. Não estou a brincar. É que eu defendo os objectivos e as acções das FARC-EP e da FPLP, entre muitas outras organizações armadas que lutam pela emancipação dos seus povos. E agora, com as propostas de lei aprovadas na semana passada em Conselho de Ministros, basta a consulta de um site para impor o estado de excepção e deter qualquer um.

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Vassalagens

Anda por aí um enorme reboliço com origem em questões internas da vida do PS. O acessório ganha terreno ao essencial, coisa que não espanta num país onde o pensar vai sendo substituído pelo reagir (não é só crítica: é crítica e autocrítica, que não me excluo deste dedo que aponto), muito em proveito de um status quo que, passando por entre os pingos da chuva, vai levando a água ao seu moinho, ou seja, os euros às contas bancárias nos off-shores e afins.

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A Venezuela será tumba de fascistas

Há muitos, muitos anos, quando já o fascismo português agonizava, a tragédia abateu-se sobre o povo chileno. A classe trabalhadora do país sul-americano havia cometido o crime de ambicionar uma vida digna e a esperança semeada pelos mil dias do governo liderado por Salvador Allende foi esmagada pela barbárie planeada em Washington e executada pelos homens de Augusto Pinochet.

Hoje, é a dignidade do povo venezuelano que tenta resistir à mira do imperialismo. As mesmas queixas sobre a falta de produtos prolongam-se em filas intermináveis que já haviam sido cantadas por Victor Jara numa canção a que chamou desabastecimento. Mais de 40 anos depois, o açambarcamento é dirigido pela orquestra da oligarquia venezuelana que afina pela pauta norte-americana.

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E se for: «proibida a entrada a pretos»?

Agora que já tenho a vossa atenção, gostaria de dizer duas ou três coisas sobre o assunto. A primeira vez que ouvi falar de uma barbearia que só atendia homens e cães pensei «ok, tá fixe». Mas a chave estava aqui: atendia.

Ao ler textos de gente despreocupada que escreve sobre moda e de repente usa o termo neomachista porque ficou de fora de um símbolo da cultura pop e não pode ir cortar o cabelo não sei bem onde acabei por não perceber exactamente do que se tratava.

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Rosendo encontra-se com Vladislav, o nazi.

José Manuel Rosendo foi à Ucrânia e descobriu em Kiev uma centena de deslocados da Crimeia. Não lhe ocorreu ir à Rússia entrevistar um dos centenas de milhares de civis do Donbass que para lá se deslocaram, fugindo dos bombardeamentos das tropas da Junta de Kiev.

No meio da tal centena de deslocados, Rosendo descobriu Vladislav, um rapaz que trabalha numa sala pouco típica de um albergue de refugiados, com um retrato de Putin a servir de alvo para setas e uma bandeira em cima da secretária onde vai acompanhando a guerra pela qual anseia através das redes sociais. Rosendo falou com Vladislav, e Vladislav confessou-lhe que espera em breve integrar-se como voluntário no “Batalhão Azov”. Rosendo ouviu e reportou. Só não lhe ocorreu explicar aos telespectadores portugueses o que é o “Batalhão Azov”.

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