Um saco de plástico pago não polui?

Actualmente quando faço compras, recebo três ou quatro sacos de plástico para as levar até casa. Geralmente não pago pelos sacos, excepto num ou outro supermercado. Mesmo quando pago, o preço do saco fica em torno de 2 cêntimos. Depois de utilizar os sacos para transportar as compras, geralmente uso os sacos para transportar coisas na moto, incluíndo a roupa suja, para colocar o lixo e para transportar o lixo.

A partir de dia 15 de Fevereiro, uma nova lei entra em vigor, para supostamente diminuir o consumo de plástico. Então vejamos: eu continuarei a ir às compras e, eventualmente passarei a utilizar uma alcofa para transportar as compras. Contudo, continuarei a precisar de sacos do lixo. Como tal, das duas uma: ou compro os sacos de transporte das compras por 10 a 12 cêntimos ou compro sacos de plástico para o lixo que são maiores, mas mais baratos.

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A Ucrânia dividida

Infelizmente para a Ucrânia e para a Paz, tudo parece apontar para mais um acordo fracassado. A paz não é do interesse daqueles que fazem da guerra o viveiro natural das suas actividades criminosas. Também não é do interesse daqueles que não se pouparão a esforços no sentido de integrar a Ucrânia na esfera político-militar da NATO. As declarações do dirigente fascista Dmytro Yarosh poucas horas depois de anunciado o segundo acordo de Minsk serão olimpicamente ignoradas pela narrativa já montada em torno do eventual (e provável) fracasso do cessar fogo. Notícias publicadas pela imprensa nacional e internacional demonstram-no com clareza: União Europeia e Estados Unidos aguardam apenas um pretexto para intensificar as sanções à Rússia [1] e para dar o passo decisivo no mais perigoso dos sentidos nesta guerra – a intensificação das relações entre a Ucrânia e o aparelho militar da NATO. Mikheil Saakachvili, ex-presidente da Geórgia com ligações conhecidas a Washington, assume neste processo como figura de proa.

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Os snipers da Maidan (novos desenvolvimentos)

Os disparos de snipers sobre polícias e manifestantes na Praça Maidan, em Kiev, foi um dos elementos mais mediatizados daqueles dias de conflito aberto entre forças policiais e gente que a comunicação social ocidental descreveu de forma insistente como manifestantes “pacíficos” e “desarmados”.

É desde há muito perfeitamente óbvio que nem os manifestantes se encontravam todos desarmados, nem os protestos foram de forma alguma pacíficos. O golpe de estado deu-se de forma violenta e prosseguiu logo depois com a ocupação de sedes e ilegalização da actividade dos partidos tidos como “russofilos”, espancamentos e intimidações, assassinatos de que é exemplo o massacre de Odessa, a 2 de Maio de 2014.

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Por Ahora Y para Siempre

Há oito anos, uma prostituta parou-me no meio da rua para me perguntar se o tipo que levava estampado na t-shirt era Lénine. Essa história contei-a dezenas de vezes para ilustrar o grau de politização de uma sociedade radicalizada entre os que defendem um novo modelo social e os que se batem pela manutenção dos privilégios da oligarquia venezuelana. Ontem, numa esquina do centro de Caracas, dois homens esgrimiam argumentos numa discussão sobre se o processo bolivariano é ou não uma revolução. Uma amiga, jornalista, explicava que é um dos temas que mais incendeia e apaixona os que acabam quase sempre por terminar abraçados pelo sabor do rum.

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Somos todas as Covas da Moura

Entrei no bairro pela primeira vez. Com a sensação de estar a conhecer uma realidade bem diferente de tudo o que já conheci.

Fico em frente à varanda onde Jailza foi baleada. Vejo onde as carrinhas costumam – costumam – bloquear o bairro. Ele chega e conta o que aconteceu. Onde estava, como foi agarrado e o que lhe disseram. Todo o tempo apenas sou capaz de fazer um esgar de incredulidade.

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“Callcenter – um operário em construção” por Paula Gil

Comecei a trabalhar, num callcenter, na linha da NOS em Setembro de 2014. Fui contratada pela EMPRECEDE, uma empresa fantasma com o único objectivo de servir de intermediário à Teleperformance no recrutamento de recursos humanos. Uma empresa com 7000€ de capital social e mais de 1000 trabalhadores – bem mais de 1000 trabalhadores.

Os dias de formação são pagos a 5€ – as 8horas que lá passas (0,62€/hora) e que são obrigatórias -, mas só os recebes se completares a formação e em conjunto com o teu primeiro ordenado. Para que fique assente: toda a gente passa aquela formação. O único requisito é que não penses muito! Eu recebi 25€ pelos meus 5 dias de formação.

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QALY é a tua, ó meu?

Mário Amorim Lopes, que pelos vistos dá aulas de microeconomia numa faculdade qualquer, escreveu a título de convidado um texto no “sentinela” na direita portuguesa, o “observador” que é uma peça política capaz de fazer parecer uns meninos alguns dos mais sanguinários fascistas. O facto de este Mário ser professor na Universidade do Porto e doutorando em economia da saúde prova que de facto, Alexandre Homem Cristo, do CDS, tinha razão quando escrevia que “temos maus professores”, pelos menos no que toca a este Mário Amorim Lopes. Mas pior, mostra que temos o ensino capturado pela doutrina dominante do neo-liberalismo mais bárbaro e ordinário.

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